Privado: Rogério Silva

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Os milhões de espectadores das Olimpíadas no Brasil

Streaming e tv aberta medem força e expõem uma tendência de mensuração jamais vista antes

, em Uberlândia

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Tenho defendido nos últimos tempos, por onde quer que eu passe – em publicação de artigos, grupos de estudos e em palestras que faço –, que o CONTEÚDO é maior que o MEIO. E essa balela de “…eu não assisto tv aberta” é conversa fiada porque quando o conteúdo interessa pouco importa onde ele está, vai haver audiência, desde que ele seja realmente relevante.

A televisão é gigante por conta de tudo que é AO VIVO – jornalismo, transmissões esportivas, realities, grandes coberturas, debates, eleições, e por aí segue o cortejo.

E se ela for local/regional, tem o ingrediente da proximidade. Eu me interesso pelo que está perto de mim, próximo do meu cotidiano, aquilo que me impacta quando ponho os pés pra fora de casa: Vai chover? Tem buraco no caminho do trabalho? A creche do meu filho tá aberta? Algum problema com o ônibus que passa na minha porta? Essas coisas triviais que mudam a perspectiva do meu dia quando saem da normalidade.

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O que é essa Cazé TV?

As duas semanas de Olimpíadas de Paris são uma amostra de conteúdo que vem sendo consumido de forma distinta e medido aos milhões por interesses particulares. O Youtuber que virou empresário das comunicações, o Cazé, da agora CazéTV, tem acordado o Brasil estimulando pessoas a acessarem seu canal.

“Já somos 80 mil, vamos chegar a 100 mil antes das 8 da manhã”, vocifera o narrador do canal banhado em informalidade, vestes despojadas, rostinhos novos e outros conhecidos, que já passaram por grandes redes de tv aberta, a exemplo da Fernanda Gentil.

Casimiro Miguel, o Cazé
Casimiro Miguel, o Cazé – Crédito: Divulgação

Lembro que no mês passado, em julho, numa disputa de pênaltis pela Euro Copa entre Portugal e França, a CazéTV chegou à marca dos 4,9 milhões de espectadores.

O que impressiona não é o volume, mas a medição instantânea proporcionada pela web – ainda fora da realidade das tvs não conectadas, que são maioria. AINDA !

A resposta

A resposta veio da Globo, que detém os direitos de transmissão das Olimpíadas na tv aberta e canais pagos. Tem sido comum ver alguns apresentadores mensurando a cobertura, na casa dos 120 milhões de pessoas atingidas por suas transmissões, somando o canal aberto gratuito e os 4 canais SporTV, para assinantes.

A diferença entre temperatura e sensação térmica

Sim, é verdade que tem um player novo no mercado, que tem seus méritos em conseguir direitos de transmissão de eventos esportivos tão grandiosos como a Copa do Qatar, em 2022, Euro Copa e Olimpíadas, agora em 2024. Mas isso é CONTEÚDO, o mesmo da gigantesca televisão aberta. É interativo e mensurável. Mas, por ora, é uma sensação térmica. Aquele ventinho que bate quando o termômetro marca 15 graus e causa uma percepção de 13. Pode crescer e fazer frente à televisão? Até poderia, se não estivesse a caminho um contragolpe muito eficiente como a TV 3.0, que vai contar com a robustez do segmento já conhecido e tradicional dos brasileiros com os recursos notáveis de tecnologia de uma transmissão inovadora como a do Cazé.

Não sou futurólogo, não prevejo coisas antes que aconteçam, enxergo apenas o que é tendência. Não escrevo para tirar o mérito visionário e audacioso de um cara criativo e batalhador como o Cazé. Mas para dar o passo seguinte ele vai precisar migrar seu conteúdo para algo que dependa menos de recursos de terceiros, como a banda larga da internet, a hospedagem num YouTube e a mídia programática incerta. Ou ser absorvido numa grande operação de fusão/ aquisição.

Tempos modernos. O futuro é hoje. Mas não tem bobo nessa história.