Os combinados de fim de ano e a tarefa de reunir a família
Crônica especial de despedida aborda os desafios de reunir os parentes neste fim de ano. Confira!
Passo aqui para uma despedida da minha coluna no Paranaíba Mais. Sejamos sinceros: minha frequência por aqui não foi merecedora de nota A do leitor. Rotinas de trabalho e de viagem me afastaram do compromisso de “escriba”, e novidades estão por vir neste maravilhoso portal. Mas eu não queria me ausentar sem um adeus.
E, em clima de luzes piscantes, muito Ho-Ho-Ho que a época exige, e comilança de panetones e rabanadas, quero dar meus palpites de como devemos nos comportar nesta reta final de 2025.
Das muitas constatações que fazemos, uma delas é universal: não cumprimos o que prometemos lá em dezembro do ano passado. Das coisas mais clássicas, como emagrecer, juntar dinheiro, fazer o cursinho de inglês; até às mais complexas, a exemplo de “Perdoar o amigo que não concorda com meu ponto de vista político e com o qual não consigo ter cinco minutos de conversa civilizada sem xingar o político de estimação dele”.
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Pois bem, isso estará em pauta na noite de Natal e, caso sobreviva, na de Réveillon também. Mas por que, em família, essa situação se mostra ainda mais nítida?
Porque família é sangue do mesmo sangue (exceto cunhado, que é parente por imposição). Ou seja, você vai se reunir com eles, mesmo que não os tenha encontrado há tempos. Na chegada, de cara limpa, há saudações calorosas, manifestações de saudade e lamentos ao estilo “deveríamos nos encontrar mais vezes”.
É. Mas isso não dura muito. Goles de vinho, brindes de whisky e cerveja, horas depois, fazem a verdade brotar nos lábios, e a catarse se mostra mais forte que seu controle para inibi-la. O tal do “sincericídio” precisa de um empurrãozinho, e o álcool faz bem esse papel.
Lembro que, numa dessas, muitos anos-luz atrás, fui testemunha ocular de noras que não se viam, mas sabiam tudo uma da outra:
— Vestido meio curto! Não tinha do seu tamanho?
— Paguei barato, usa metade do tecido para fazer um para você.
Não deu tempo nem de estourar a champanhe. A festa acabou antes das 23h00.
Mas com um pouquinho de boa vontade, dá para driblar esse azedume e viver noites felizes e contagens regressivas civilizadas.
O novíssimo manual de boa convivência prega evitar temas ariscos e espinhentos, como política, religião e trajes alheios. O futebol é livre, ainda é possível tirar sarro do sogro vascaíno e do sobrinho que herdou do pai a pesada missão de ser um “pó de arroz” em pleno século XXI. Viagens de férias, cuidados domésticos e conversas sobre comportamento de maridos podem fluir, mas com moderação. Evite muita intimidade sobre finanças e esbanjamentos. Pode dar tilt!
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No mais, vamos repetir promessas, abusar das cumplicidades, rir de nós mesmos, brincar com as adversidades e brindar a alegria de permanecermos vivos e saudáveis em meio a tantas agruras.
Porque fim de ano é assim mesmo, hora de renovação de ciclos, pular ondinhas, fazer pedidos, apostar na Mega da Virada e distribuir desejos de muita abundância e fartura. Rezar um pouco também é importante. E, claro, agradecer.
Compre uma camisa nova, use a underwear da sorte na cor favorita e vamos em frente. Tudo pode ser diferente daqui por diante. Ou não! Vai saber. O que importa mesmo é cuidar da gente e de quem está sempre ao nosso lado. Os 365 novos dias passarão como um foguete e, logo, logo, começa tudo outra vez.
Boas festas!!!