Privado: Rogério Silva

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Marina Lima, a melodia que traduziu os desejos e inquietações de uma geração

Anos dourados da música brasileira foram embalados por hits que estão guardados em nossas memórias

, em Uberlândia

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Sou testemunha viva do talento de uma das maiores vozes do Brasil. Perdeu o seu bem mais precioso e insiste. Os anos dourados da música brasileira foram embalados por hits que estão guardados em nossas memórias.

Quem tem mais de quarenta ou cinquenta lembra de “Mesmo se o tempo levou” ou “Fullgás”, palavra que eu nem sabia que existia.

Ela já foi mocinha de cinema com “Garota Dourada” quando a regra era não poder assumir a preferência sexual. Hoje parece absurdo, mas na transição entre a Ditadura e a Nova República era uma imposição. Quem assumia sair do armário pagava preço alto.

Marina Lima
Marina Lima, a voz que atravessou gerações, símbolo da liberdade, do amor e da coragem – Crédito: Divulgação

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Marina é patrimônio nacional e dificilmente alguém que a ouça agora pela primeira vez entenderá. Com uma fita envolta em seus cabelos crespos se tornou símbolo sexual pelo gênero não desejado por ela. Mas era a regra. Ouça Marina Perfil e entenda do que estou falando.

Nas novelas da época sempre havia de ter uma canção sua. Um refrão de “veneno cor de rosa” que inevitavelmente “você chama amor”. A roqueira romântica com sua guitarra ritmada e dona do palco. Algo Lulu Santos, tipo Red Hot, antenada no que seria um fenômeno tio Sam.

Ahhhh Marina… O que seria do rock nacional se não fosse você na vanguarda!

Aqui escreve um fã declarado de seu talento e do seu estilo recatado e discreto.

O timbre da sua voz embebedou multidões e fez uma geração dançar nas discotecas, meio Dancin’ Days, meio Gilberto Braga misturado com Nelson Rodrigues.

Ao dividir interpretações com Lobão ficava difícil saber qual a melhor versão. “Chove lá fora”, “Me chama”, e nossos ouvidos a postos. “Arranque o freio! E pé na tábua”

Da época dos LPs, os bolachões chegavam envoltos em capas pretas exibidas por nossa geração como troféus. Coisa cara e rara. E preciosa. E companheira na vitrola.

Marina, obrigado por existir e por existir na minha existência. Palmas e reverências de um saudosismo de quem pensa e vocifera: “Na minha época”… “No meu tempo”.

Gratidão, amiga.

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