Marina Lima, a melodia que traduziu os desejos e inquietações de uma geração
Anos dourados da música brasileira foram embalados por hits que estão guardados em nossas memórias
Sou testemunha viva do talento de uma das maiores vozes do Brasil. Perdeu o seu bem mais precioso e insiste. Os anos dourados da música brasileira foram embalados por hits que estão guardados em nossas memórias.
Quem tem mais de quarenta ou cinquenta lembra de “Mesmo se o tempo levou” ou “Fullgás”, palavra que eu nem sabia que existia.
Ela já foi mocinha de cinema com “Garota Dourada” quando a regra era não poder assumir a preferência sexual. Hoje parece absurdo, mas na transição entre a Ditadura e a Nova República era uma imposição. Quem assumia sair do armário pagava preço alto.

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Marina é patrimônio nacional e dificilmente alguém que a ouça agora pela primeira vez entenderá. Com uma fita envolta em seus cabelos crespos se tornou símbolo sexual pelo gênero não desejado por ela. Mas era a regra. Ouça Marina Perfil e entenda do que estou falando.
Nas novelas da época sempre havia de ter uma canção sua. Um refrão de “veneno cor de rosa” que inevitavelmente “você chama amor”. A roqueira romântica com sua guitarra ritmada e dona do palco. Algo Lulu Santos, tipo Red Hot, antenada no que seria um fenômeno tio Sam.
Ahhhh Marina… O que seria do rock nacional se não fosse você na vanguarda!
Aqui escreve um fã declarado de seu talento e do seu estilo recatado e discreto.
O timbre da sua voz embebedou multidões e fez uma geração dançar nas discotecas, meio Dancin’ Days, meio Gilberto Braga misturado com Nelson Rodrigues.
Ao dividir interpretações com Lobão ficava difícil saber qual a melhor versão. “Chove lá fora”, “Me chama”, e nossos ouvidos a postos. “Arranque o freio! E pé na tábua”
Da época dos LPs, os bolachões chegavam envoltos em capas pretas exibidas por nossa geração como troféus. Coisa cara e rara. E preciosa. E companheira na vitrola.
Marina, obrigado por existir e por existir na minha existência. Palmas e reverências de um saudosismo de quem pensa e vocifera: “Na minha época”… “No meu tempo”.
Gratidão, amiga.