Ponto de Vista

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Quando o cão e o homem se seguem com a alma

Em tempos de tantas rupturas humanas, talvez seja hora de reaprender com o que é simples

Paulo Franco , em Uberlândia

Você já reparou que alguns cachorros não apenas seguem seus donos, mas literalmente os escoltam, lado a lado, como se cada passo do humano fosse também um chamado interior para o animal? É mais do que lealdade: é o que chamo de comportamento aleluminético — uma conexão quase espiritual, emocional, instintiva. É quando um cão, mesmo sem comando, segue o dono não por adestramento, mas por afinidade de alma. Em tempos de tantas rupturas humanas — famílias fragmentadas, relações líquidas e trabalho cada vez mais virtual — talvez seja hora de reaprender com o que é simples. Um cão que nos segue sem exigir, que nos olha sem julgar, que se deita aos nossos pés mesmo quando não temos nada a oferecer, é um espelho do que deveríamos cultivar entre nós: lealdade emocional.

O cão e o homem
O cão e o homem possuem laços invisíveis – foto: Divulgação/Reprodução

 

Uberlândia cresce, se moderniza, mas seus habitantes também adoecem — física e emocionalmente. Se quisermos saúde pública de verdade, precisamos falar de saúde emocional. E isso inclui afetos, vínculos reais, e até os laços invisíveis entre um homem e seu cachorro.

Talvez o “milagre moderno” não esteja na tecnologia, mas na capacidade de uma alma (humana ou canina) seguir a outra sem medo.

 

Fonte: Do Livro “Aleluminético”, de Paulo Franco, O Shakespeare de Uberlândia.

Paulo Franco
Poeta, comunicador e pesquisador da sensibilidade humana através da arte e da palavra. Intitulado “O Shakespeare de Uberlândia” pela Folha de São Paulo (20/02/2022), devido à variedade de conteúdo que escreve, dedica-se a explorar as conexões entre música, espiritualidade e comportamento emocional.

 

*Esse artigo é independente e não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.