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Envelhecer bem começa antes dos 60

Mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o que representa cerca de 15% da população, segundo o IBGE

Ludmila Miguel , em Uberlândia

 

Envelhecer com qualidade exige estratégias, entre elas a prática regular de atividade física- foto: Divulgação

O Brasil está envelhecendo, e isso já não é mais tendência, é realidade. Hoje, mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o que representa cerca de 15% da população, segundo o IBGE. Em pouco mais de uma década, esse grupo cresceu de forma acelerada e mudou o perfil do país. O desafio agora não é apenas viver mais. É viver melhor.

Esse movimento já aparece de forma clara nos consultórios. A busca por prevenção e acompanhamento médico começa a crescer, mas ainda esbarra em um modelo de cuidado tardio, que prioriza o tratamento da doença e não a sua antecipação. A conta chega e chega alta, tanto para o paciente quanto para o sistema de saúde.

As doenças crônicas continuam no centro desse cenário. Hipertensão, diabetes e problemas cardiovasculares lideram os quadros mais comuns entre idosos. Somam-se a eles a osteoporose, as demências, a depressão e as limitações de mobilidade, condições que comprometem diretamente a autonomia e a independência.

O ponto mais sensível é que boa parte desses problemas poderia ser evitada ou controlada. Diagnóstico precoce, rotina de cuidados e mudanças no estilo de vida têm impacto direto na forma como se envelhece. Ainda assim, o cuidado com a saúde segue sendo, para muitos, uma decisão tardia.

A geriatria surge como resposta a esse novo cenário, mas ainda é cercada por uma visão equivocada. Não se trata de uma especialidade voltada apenas para a fase final da vida, mas de um acompanhamento contínuo, que começa antes, com foco na prevenção, na manutenção das funções e na redução de riscos ao longo do tempo.

Envelhecer com qualidade exige estratégia. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono adequado, controle de doenças já diagnosticadas e acompanhamento médico periódico formam a base desse processo. Não são medidas complexas, mas exigem constância e consciência.

Há também uma mudança silenciosa em curso: viver mais deixou de ser o único objetivo. A longevidade, por si só, não garante bem-estar. Sem autonomia, sem independência e sem saúde integral, os anos a mais perdem valor.

O envelhecimento da população brasileira não é um problema. É uma conquista. Mas, para que ela se sustente, é preciso mudar o olhar sobre o cuidado. A decisão de como envelhecer começa muito antes dos 60 — e passa, necessariamente, pelas escolhas feitas hoje.

 

Por Ludmila Miguel
Geriatra

 

*Esse é um artigo independente e não representa, necessariamente, a opinião do Portal