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Paul Thomas Anderson era a bola da vez, mas merecia um Oscar há tempos

O diretor entrou em meu radar em 2000 quando vi Magnólia e ainda que tenha sido premiado não pelo seu melhor trabalho, Paul Thomas Anderson nunca fez filme ruim

, em Uberlândia

Não é que Uma Batalha Após a Outra seja um filme menor na filmografia de Paul Thomas Anderson, mas com ele aconteceu de receber seu Oscar não pelo melhor trabalho. Isso é comum e aconteceu com gente do calibre de Martin Scorsese, por exemplo. Só que antes tarde do que mais tarde uma vitória de um cineasta tão importante.

Desde Boogie Nights e, principalmente, Magnólia, PTA deveria ter sido valorizado pela Academia e seus votantes. Magnólia, de 1999, foi o terceiro longa-metragem dele, mas o primeiro de sua filmografia com o qual tive contato. Era um final de noite de domingo e tinha tudo para dar errado ao assisti-lo. Eu acabara de chegar de uma viagem de 600 quilômetros e deveria assistir ao VHS (sim, aquelas fitas antigas) que havia alugado, pois na segunda-feira não teria tempo de vê-lo. Era um longa de três horas e, devido ao cansaço e à avançada hora, a chance de dormir era proporcional à duração da produção.

Tom Cruise foi indicado a Ator Coadjuvante e Magnólia ainda foi nomeado ao Oscar por Roteiro Original e Canção – Créditos: Divulgação/New Line Cinema

Só que tudo deu tão certo, que aquele filme esquisito, com chuva de sapos, coincidências bizarras, gente cantando a música-tema no meio do filme e personagens singulares, se tornou um dos meus favoritos da vida. Magnólia, para mim, ainda é o maior de Paul Thomas Anderson. Lá se vão mais de 25 anos.

Inclusive, foi uma boa surpresa, anos depois, eu estar com a televisão ligada no início da madrugada e pegar a exibição do primeiro trabalho de PTA. Jogada de Risco (Hard Eight) foi lançado em 1996, mas eu o vi uns seis anos depois. Engraçado é que o filme começou, e a abertura me prendeu a atenção, e só depois soube que se tratava de um filme de Anderson — os créditos me contaram.

E vale ainda dizer que não sou lá muito fã de Adam Sandler. Por isso que digo: se não fosse a assinatura do diretor, dificilmente iria pagar para assistir a um filme como Embriagado de Amor. Sorte a minha que fui até uma locadora, em meados de 2003, para levar o DVD para casa. Foi a primeira vez que vi Sandler usar sua persona em uma produção que não fosse um apanhado de piadas de quinta série.

Preciso citar, por óbvio, que Sangue Negro é o trabalho dele mais equilibrado entre o clima contemplativo e suas próprias loucuras. A obra mais parruda dele chegou ao Oscar em 2008 com oito indicações e como o meu preferido entre os nomeados ao prêmio principal. Perdeu para Onde os Fracos Não Têm Vez. Discordo, mas era um ano bem forte na categoria, com títulos como Desejo e Reparação, Conduta de Risco e Juno. E Sangue Negro sempre será a obra com a atuação monstruosa de Daniel Day-Lewis.

Confesso que não sou o maior fã de Trama Fantasma, mas é importante lembrar que Licorice Pizza e O Mestre não receberam os devidos louros em premiações. Assim como o scorsesiano Boogie Nights, um filme-família sobre a indústria da pornografia.

O fato é que, desde que assisti a Magnólia, qualquer filme que o cineasta lança eu me interesso automaticamente. E, convenhamos, ele nunca entregou uma obra ruim. Sempre está acima da média, na verdade. Uma Batalha Após a Outra demonstra isso novamente, como um filme cheio de idiossincrasias, num ritmo perfeitamente amalucado e satírico.

Não era o meu favorito neste ano, mas, quando a gente para para pensar na história de Paul Thomas Anderson, é possível entender que a Academia resolveu que este era o ano de premiá-lo.