Pais não entendem o que é o ritmo de um filme
Aos pais de crianças que assistem a filmes: quantas vezes você pausa seu filme para atender a algum pedido ou necessidade de seu filho?
Aos pais de crianças que assistem a filmes:
Quantas vezes você pausa seu filme para atender a algum pedido ou necessidade de seu filho?
Lá pelos idos de 2013, uma colega de trabalho me disse que assistia em partes a um filme que eu indiquei, não porque era de longa duração ou por achá-lo chato, mas porque o filho simplesmente não dava trégua para que os 90 minutos fossem vencidos.
O puritano aqui retrucou, dizendo que o legal seria ver o filme com o mínimo de pausas possíveis, para que o ritmo do longa fosse sentido. “Quando tiver filho, você vai entender.”
Pois bem, eu entendo agora.
Meu filho de 2 e minha filha de 10 anos foram meus professores.
Primeiro: ele pede atenção o tempo todo. Segundo: quando ele não demanda de mim e da minha esposa, ficamos preocupados com a falta de gritinhos, musiquinhas ou brincadeiras. Criança quieta está aprontando. Os pais sabem.
Minha filha também entra nessa. De forma diferente, claro. Por mais que ela esteja naquela fase de amar ficar no quarto com suas coisas, é certo que virá puxar uns papos comigo ou com a mãe dela no meio de um filme em casa. Típico da idade também.

Pois saibam que qualquer crítica que eu venha a trazer aqui na coluna sobre um filme que tenha visto em casa certamente terá meu senso de ritmo afetado na avaliação.
Nem todos, é verdade. Costumamos usar a soneca do filhote nas tardes de fim de semana para vermos algo. Mas, na maioria das vezes, as interrupções acontecem.
Talvez a experiência mais maluca tenha sido assistir a F1 – O Filme, no início deste ano. O longa, que tem 2h35, lá em casa virou um épico de umas 4 horas. Meu filho não ficava mais do que 10 minutos sem nos chamar, seja para irmos ao quarto dele ou para nos mostrar algo. Era uma manhã de domingo, e aproveitávamos que a produção havia sido lançada no streaming. Nosso erro foi tentar assisti-lo logo depois de o baixinho acordar.
O café foi pouco, acabou antes do filme. Virou motivo de riso entre mim e minha mulher. Mas vencemos. Certamente bem mais lentamente que os carros na exibição de F1.
E esta coluna ainda está incompleta: nem comentei sobre a saga dos pais que não podem ver filmes de terror ou com temas sensíveis a qualquer momento. Mas aí também entra o fator idade dos velhos. Geralmente, Di e eu tentamos ver esse tipo de longa à noite, após os filhos irem para a cama. Mas somos nós que acabamos dormindo no sofá.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais