Os 30 anos de Independence Day
O aniversário de Independence Day já passou, mas ainda há tempo para falar sobre um dos filmes que me fizeram amar o Cinema
Antes que julho termine, eu preciso marcar os 30 anos de um dos filmes que me colocaram na cinefilia. O aniversário de Independence Day já passou, foi no dia 4, mas ainda há tempo.
Existe uma definição bem bacana sobre o longa-metragem de 1996 que o aponta como um filme B, baseado nos clássicos de aliens da década de 1950, mas com orçamento. É perfeito, pois o longa-metragem realmente recicla uma série de clichês já vistos antes, como a espécie que se comporta como gafanhotos numa invasão a outros planetas, o doidinho da cidade que diz já ter sido abduzido e até o mito da Área 51.

Entretanto, os US$ 75 milhões à época garantiram efeitos práticos combinados com alguns efeitos em CGI que deram um novo brilho para a trama batida. É fato que existe muita identidade visual no projeto, seja pelos ataques a símbolos norte-americanos, seja pela concepção de naves alienígenas da produção. Basta dizer que qualquer destruição em massa de cidades dos Estados Unidos acaba comparada a ID4 (apelido do filme). Principalmente quando o assunto é a Casa Branca.
Gosto de salientar que foi justamente esse deslumbramento que o filme traz à primeira vista que me puxou para o antigo Cine Center, em Uberlândia. Quando vi algumas imagens por meio de trailers, logo o Vinícius Lemos de 12 anos teve a certeza de que precisaria correr para pegar uma sessão.
Foi o que aconteceu numa noite de 96, quando tive a liberação de meus pais para pegar um ônibus no fim de tarde daquele dia e chegar a tempo da exibição, perto das 19h. Meu pai me buscaria logo após o filme. Eu o avisei por meio de uma ligação de orelhão, aguardando a carona na avenida João Naves de Ávila, em frente ao shopping no qual ficava aquele primeiro multiplex da cidade.
A experiência, claro, foi excelente. Ainda que tivesse ido ao cinema antes, sempre acompanhado dos meus pais, foi vendo aquele blockbuster estadunidense (mas dirigido pelo alemão Roland Emmerich) que entendi melhor o que é estar numa exibição de filme coletiva — ainda que estivesse desacompanhado. Lembro-me de gostar muito de rir junto com o resto do cinema cheio em cenas cômicas e de estar empolgado com as sequências de ação. Emoções extras, para além do espetáculo visual para o qual já tinha expectativas altas.
Ao fim da projeção, Independence Day era meu filme preferido, de longe. Voltaria ao cinema com amigos da escola para revê-lo, durante uma tarde qualquer nas semanas seguintes. Alugaria a fita quando ele chegou às videolocadoras. Gravei em VHS quando foi exibido na TV aberta três anos depois. E tentei jogar o game para PlayStation, mas aquele foi um fiasco. Enfim, ID4 virou um acontecimento pessoal.
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Não só, pois a produção terminaria seu ciclo de exibição em 1996 com US$ 817,4 milhões em bilheteria, a maior do ano. Em números atuais, ele teria custado mais ou menos US$ 160 milhões e faturado US$ 1,74 bilhão. Nada mal.
Engraçado que uma continuação só sairia 20 anos depois, em 2016. Se fosse hoje, teria um Independence Day encomendado para antes de sua exibição na TV aberta brasileira — e provavelmente completaria uma trilogia no início dos anos 2000.
Em retrospecto, não dá para ignorar a patriotada norte-americana, mas, com seu tom entre a ação séria de uma produção de alto custo e a galhofa, ID4 ainda é um filme bacana, que sobrevive ao tempo com seus efeitos visuais criativos e bonitos e que rende muita diversão toda vez que o vejo — para além da nostalgia. Até hoje.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais