O prêmio é a propaganda e o Cinema do Brasil está na moda
Uma semana após o Oscar, o foco é qual vai ser nosso próximo representante, mas acho que deveríamos aproveitar o bonde para expandir o Cinema do Brasil
Era meio óbvio que isso iria acontecer. Uma semana após a entrega do prêmio da Academia, existe muito papo sobre quem do Cinema do Brasil poderia ser mandado para a Academia para o Oscar de 2027. Eu mesmo fiquei pensando nisso e imaginando como o cinema no Brasil poderia deixar as rodas de conversa sem uma possível terceira indicação seguida ao prêmio estadunidense. Besteira. O foco deve ser outro.
Claro que o holofote de prêmios internacionais é importante para o fomento. Todo mundo quer saber sobre a produção cultural nacional que tem ganhado espaço fora do país — e o Oscar é o mais midiático dos concursos.

O fato é que o Brasil se igualou a países como Alemanha, França e Japão nesta década em relação ao Oscar, obtendo amplo destaque e constância na premiação. Claro que, quanto mais exposição, melhor, mas é aí que o bonde deve ser pego.
Essa luz sobre o nosso cinema pode servir para buscar parcerias internacionais para produção e distribuição de nossos filmes. É a quantidade que vai levar ao crescimento da nossa indústria. Claro, o fomento estatal é importante, principalmente para projetos de extremos: aqueles muito pequenos e os de maior orçamento.
O aquecimento da nossa cinematografia serve de força na hora da negociação, seja ela qual for.
Alguns países surfaram muito bem essa onda e conseguiram resultados que popularizaram ainda mais seus filmes e autores. Se tomarmos apenas este século, a Coreia do Sul apareceu para o grande público ainda nos anos 2000 e culminou em Parasita sendo o único vencedor não falado em inglês do Oscar. No fim daquela década, o cinema do México também apareceu em premiações televisionadas e seguiu com cineastas como Alfonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo del Toro como nomes consolidados fora de seu país.
Chilenos e argentinos, ambos vencedores do Oscar de Filme Internacional na década passada, também elevaram suas próprias indústrias quando estiveram em voga.
Possibilidades existem, e as cotas de tela podem ajudar, da mesma forma que há a necessidade de serviços de streaming em trabalhar com produtores locais.
O prêmio é a propaganda — e nós estamos na moda.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba