Meu filme preferido da vida não ganhou um Oscar e o seu?
Advogado do Diabo tem uma das maiores atuações de um dos maiores atores do Cinema, Al Pacino, e não foi lembrado pelo Oscar - e isso não é um problema
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O Oscar não determina qual é o Melhor Filme do Ano, assim como nenhum outro prêmio faz isso. Quem determina é você. OK, prêmios podem ser uma boa bússola para filmes interessantes, mas também podem sucumbir a delírios coletivos (lembra de Emilia Pérez?) e, mais comumente, a grandes campanhas de promoção.
No recorte que fiz em 2025, por exemplo, o filme de que mais gostei foi A Meia-Irmã Feia, um terror corporal que, inclusive, achei superior a A Substância (2024), outro do gênero, de grande qualidade, e que chegou às premiações. Mas, além de ser um filme norueguês, ainda enfrenta a barreira do terror em premiações mais famosas. É preconceito mesmo. E, nem assim, ele perde suas virtudes.

Lembro-me de assistir a Parasita em uma manhã de domingo, em meados de 2019. Gostei da produção, mas realmente não imaginaria o feito no Oscar de 2020, sendo o único filme em língua não inglesa a vencer a categoria principal na história. Eu mesmo, em 2019, prefiro o brasileiro Bacurau.
Meu filme preferido de todos os tempos é Advogado do Diabo, de 1997. No ano seguinte, todos vimos a vitória completa de Titanic no Oscar, sendo apenas o segundo a conquistar 11 estatuetas. Quando analiso os indicados daquela edição, consigo encaixar Advogado do Diabo em uma série de categorias.
A começar por Al Pacino como Ator Coadjuvante. A meu ver, inclusive, ele mereceria não só a vaga de Anthony Hopkins (por Amistad), como poderia levar a estatueta no lugar de Robin Williams (por Gênio Indomável). Por óbvio, acho que o longa-metragem em si deveria estar na categoria de Melhor Filme, muito à frente de indicados como Ou Tudo ou Nada, Gênio Indomável e Melhor é Impossível. E, claro, a direção de Taylor Hackford deveria ter sido reconhecida. Da mesma forma, gosto muito da adaptação de roteiro feita por Jonathan Lemkin e Tony Gilroy. A trama do filme é melhor contada do que a do livro de Andrew Neiderman e merecia uma indicação. Ainda diria que a Direção de Arte impressiona, junto de sua fotografia sisuda.
Mas Advogado do Diabo não teve nenhuma menção e dificilmente venceria Titanic em qualquer daquelas possibilidades. O filme de James Cameron, além de ser um gigante naquele ano, tinha qualidades. O que não muda em nada meu apreço pelo longa encabeçado por Keanu Reeves.
Fato é que premiações são divertidas, dão visibilidade e podem mudar o rumo de uma indústria por completo, como aconteceu com os reconhecimentos de filmes iranianos na década de 90 e sul-coreanos na última década. O Brasil começou os anos 2020 bem, chegando com mais força lá fora, seja em Cannes, Veneza, Berlim ou nas premiações televisionadas estadunidenses.
Mas é importante também que, particularmente, tenhamos nossos preferidos, os quais muitas vezes passam longe de estatuetas. Eles moldam nossos gostos e nossa vivência cinematográfica.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais