Forrest Gump tem aura de descoberta
Para além do mais, Forrest Gump é um filme iluminado de várias formas, que marcou a ampliação de horizontes na forma como consumia cinema
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Na minha cabeça, todos os cinéfilos com mais de 30 anos têm alguma saudade das videolocadoras. E, para além disso, têm alguns filmes que marcaram essa época. No meu caso, um deles é Forrest Gump – O Contador de Histórias.
Não se tratou da primeira fita que levei para casa, mas tenho até hoje a lembrança do sentimento de assisti-la. Mais do que isso, lembro-me de alugá-la por ter sido a vencedora do Oscar de Melhor Filme em 1995 e de ouvir da minha mãe dizer ter certo receio desse tipo de filme (vencedor do Oscar), por considerá-los, muitas vezes, chatos.
Forrest Gump é um filme iluminado que, para mim, tem a aura da descoberta do cinema para além das telas grandes. Alugar um VHS no início da década de 1990 era algo um tanto distante para mim, pois só tive um videocassete no início de 1995. Antes disso, via com curiosidade primos e amigos conseguirem levar fitas para casa e assisti-las. Meu acesso aos filmes era, basicamente, a TV aberta, antes de ter o aparelho de reprodução em casa.

Obviamente, muitas das referências históricas passaram completamente batidas por mim. Enquanto Forrest Gump influenciava diretamente o andamento da História no ótimo roteiro de Eric Roth, baseado no livro de Winston Groom, o longa se tornou uma espécie de índice da história estadunidense que eu viria a descobrir posteriormente, tanto no ensino fundamental quanto pelo meu interesse por música e cinema.
Aquela proposta, inclusive, me pareceu algo tão inédito e esperto que até hoje não sei dizer se foi o primeiro filme a fazê-la. Para mim, na realidade, isso não importa. Foi o filme que me apresentou essa ideia do homem comum sendo apenas ele mesmo e, ainda assim, tornando-se algo extraordinário — com um pé na realidade.
Me marcou tanto que tenho várias lembranças das muitas vezes em que o assisti — inclusive gravei em uma fita quando passou na TV aberta. E elas vão desde o momento em que busquei a fita na prateleira da já fechada locadora Cardoso Vídeo, no bairro Granada, em Uberlândia, até ocasiões em que pausei o filme com aquela qualidade duvidosa do videocassete para tentar observar melhor alguns detalhes do longa.
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Mas a mais marcante dessas lembranças é sobre aquele sentimento de ver Forrest Gump. Sabe aquela luz quente com a qual os filmes nostálgicos são fotografados? Pois, na minha memória, terminei de assistir ao filme pela primeira vez em um fim de tarde, com o sol cruzando a sala da minha antiga casa, no bairro São Jorge, iluminando um canto do cômodo e repousando entre o chão e a estante onde a TV ficava.
É uma cena bonita de uma bela lembrança. O triste é que muito provavelmente se trata de uma memória falsa.
O que, a esta altura, diria não ter grande importância.
Disse que Forrest Gump é um filme iluminado para mim. Só não posso dizer se ele inspirou essa memória do sol na sala ou se foi essa cena que influenciou a forma como carrego o filme comigo ao longo da vida.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais