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Esnobados, surpresas e pitacos sobre o Oscar 2026

Deixando o Brasil de lado, fiquei olhando os indicados ao Oscar 2026 de maneira mais abrangente e aqui e ali a gente sempre percebe algumas coisas

, em Uberlândia

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Deixando o Brasil um pouco de lado, fiquei olhando os indicados ao Oscar 2026 de maneira mais abrangente e, aqui e ali, a gente sempre percebe algumas coisas. O que grita são as 16 indicações e o recorde histórico de Pecadores na premiação. Ele não só superou os antigos líderes de nomeações — A Malvada, Titanic e La La Land — como abriu margem. Teve a vantagem de ser indicado à nova categoria, Casting, mas, mesmo que ela não existisse, se tornaria o mais indicado de todos os tempos.

Garantia de vitória? Nomes muito indicados como O Irlandês e Trapaça podem dizer que não é bem assim.

Pecadores superou com folga filmes como Titanic e A Malvada – Créditos: Divulgação/Warner Bros.

O grande favorito ao prêmio de Melhor Filme em 2026 é Uma Batalha Após a Outra, e seu diretor, Paul Thomas Anderson, já merece vencer um Oscar desde que Magnólia chegou aos cinemas, em 1999.

Na lista deste ano, contudo, ao meu ver, o grande superestimado é Frankenstein. OK, das nove nomeações ao prêmio, muitas são técnicas, o que é justo. Só que ele também está na relação de Melhor Filme, e Jacob Elordi recebeu menção como Ator Coadjuvante. Dois exageros para trabalhos apenas competentes.

Da mesma forma, todas as indicações de Bugonia pareceram demais pela falta de tração da produção entre a crítica. Mas a indústria adotou o filme.

Ethan Hawke foi uma boa surpresa pelo elogiado trabalho em Blue Moon. O cara está na indústria há muito tempo, trabalha muito e tem atuações que já poderiam ter recebido atenção, como em Antes do Pôr-do-Sol, ainda em 2004.

Kate Hudson mostrou o poder de campanha. O filme Song Sung Blues, dela, não tinha tanta visibilidade, mas houve campanha direta para a atriz, inclusive com ajuda de seu parceiro de cena, Hugh Jackman, para chegar à categoria de Melhor Atriz. Pior para Chase Infiniti, que era quase nome certo por Uma Batalha Após a Outra.

F1 – O Filme na categoria principal também é outra vitória por conta de campanha. A Apple percebeu tarde que outros blockbusters, como Avatar – Fogo e Cinzas e Wicked: Parte 2, não teriam grandes chances. Antes, o filme sobre a Fórmula 1 tinha campanha apenas para prêmios técnicos, mas descolaram tempo e lobby para incluir F1 como o blockbuster de 2026 em Melhor Filme.

Com isso, vimos que Wicked 2 se tornou o maior dos perdedores neste ano. Depois de vencer dois prêmios da Academia em 2025 e figurar em categorias importantes, como Filme, Atriz e Atriz Coadjuvante, a repercussão da segunda parte abaixo da vista no primeiro filme levou a continuação a não receber indicações.

E, para terminar o papo sobre blockbusters, me surpreendeu Avatar – Fogo e Cinzas ter sido indicado a Figurino, sendo que 90% dos figurinos são criados em CGI e os atores foram filmados com trajes de captura de movimento o tempo todo.

Ao mesmo tempo, Delroy Lindo, indicado a Ator Coadjuvante por Pecadores, foi a melhor das surpresas. Eu achei que isso aconteceria ainda em 2021, por Destacamento Blood. Grande filme e grande atuação.

Amy Madigan é a Tia Gladys de A Hora do Mal – Crédito: Divulgação/Warner Bros.

Para falar de nomeações que não me surpreenderam, mas me deixaram muito feliz, lembro que Amy Madigan, indicada a Atriz Coadjuvante por A Hora do Mal, é justiça — pena que a Academia não gosta de filme de terror, e ela tem poucas chances de vitória. Entre as indicadas, só teria dúvida se eu daria o prêmio a Madigan quando lembro o quanto Teyana Taylor rouba suas cenas em Uma Batalha Após a Outra.

A outra felicidade foi ver o norueguês A Meia-Irmã Feia indicado a Melhor Maquiagem. Aliás, esse foi o melhor filme que assisti em 2025.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais