Crítica: Avatar – Fogo e Cinzas é bonito, mas inflado por repeteco
O grande problema de Avatar - Fogo e Cinzas é que beleza e ação a plateia já espera da franquia, falta um roteiro com novidades
Um grupo de Tulkuns é atacado em uma cena eletrizante e triste, que lembra uma caçada a baleias na vida real. Um desses animais, considerado violento, revida em busca de sobrevivência e é considerado um pária do grupo. Ele será julgado em algum momento.
Esses mesmos elementos e mais outros já vistos em seus antecessores são parte da irritante repetição que incha e transforma Avatar – Fogo e Cinzas no pior da até agora trilogia de James Cameron no mundo de Pandora. Na verdade, há pouco de original nessa terceira parte.

Temos a volta de vilões conhecidos – e de missão já manjada – e da introdução da líder Varang em uma trama que não sabe muito bem para onde ir.
Sim, claro, há um novo clã, os Mangkwan, mas na realidade você vai aprender muito pouco sobre eles se comparado às apresentações cuidadosas que tivemos dos clãs da floresta e da água dos longas anteriores. Aliás, as grandes durações do Avatar original e de O Caminho da Água passavam muito pelo cuidado em criação e expansão de mundo.
O que temos é apenas uma única cena em que eles ganham o mínimo de estofo com a líder contando rapidamente sua história.
E potencial havia, pois o clã tem aversão à deusa Eywa, como Varang explica, mas isso nunca é aprofundado. Há ainda uma nova possibilidade que poderia contrabalancear a vantagem dos Na’vi em Pandora em relação aos humanos, que passa diretamente pelo personagem juvenil Spider. Só que isso parece ser deixado para um quarto filme, ao mesmo tempo que o que poderia ser uma intensa trama de caçada, se torna sem foco.
Parece que James Cameron tem que esticar sua história para caber nos cinco filmes inicialmente planejados. Assim, ao invés de seguir com um arco principal e elaborar cenas grandiosas para um filme comum de duras horas, ele infla tudo com mais do mesmo, inclusive trazendo de volta o único grande defeito de seu primeiro Avatar: o deus ex-machina que finalizava a batalha em 2009 com ajuda do céu.
E voltando a falar sobre os Tulkuns, é gritante que a caçada contra eles não acontece uma, mas duas vezes seguidas em Fogo e Cinzas. Aí as mais de três horas desse Avatar pesam, quando poderíamos ter um filme baseado em beleza e ação.
Plasticidade existe e recomendo uma ida ao cinema para apreciação, até porque o som e o 3D do longa são de primeira. Mas isso também não é novidade na franquia. Precisaríamos de um roteiro para fechar o pacote. Ele veio com plástico bolha e você vai se cansar de furar.