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Em A Odisseia, Matt Damon precisa voltar para casa – de novo

Desde O Resgate do Soldado Ryan, Matt Damon sempre passa por uma jornada para voltar para casa; pelo menos em A Odisseia ninguém vai resgatá-lo

, em Uberlândia

Eu não tinha me dado conta de que em A Odisseia, que teve um trailer lançado nesta semana, Matt Damon mais uma vez vai trabalhar muito para voltar para casa. Pelo menos desta vez, ele fará um personagem que não será resgatado, mas sim alguém que vai lutar por conta própria para retornar. Para quem não sabe, existe uma piada sobre o ator: se o personagem dele sai para comprar um mero cigarro, fique atento, pois ele provavelmente precisará de um resgate.

Tudo começou ainda em 1998, quando, lá pelas tantas, a gente descobre que ele é o soldado do título de O Resgate do Soldado Ryan. Ele perdeu todos os irmãos na Segunda Guerra Mundial, então um destacamento precisa encontrá-lo para que volte em segurança para a família. A missão vai custar muitas vidas e isso, inclusive, é uma das discussões daquele filmaço de Steven Spielberg: uma vida valeria outras tantas para ser salva? Não à toa, o personagem é assombrado pela dúvida sobre se sua existência teria sido digna de tamanho esforço.

Desde a Segunda Guerra Mundial Matt Damon passa por perrengues para um retorno – Crédito: Divulgação/DreamWorks/Paramount Pictures

Em Perdido em Marte, a situação já é explicada pelo título nacional, pois o astronauta vivido por Damon é deixado para trás durante uma evacuação do planeta vermelho. A situação começa quando uma tempestade violentíssima atinge a base da equipe em Marte. Durante a saída dos exploradores, Damon é atingido por uma antena e desaparece em meio à tempestade. Os sensores biométricos indicam que ele morreu e a tripulação decide partir rapidamente para não morrer também.

O caso é que, dessa vez, vamos acompanhar como o protagonista sobrevive às condições adversas em um filme extremamente carismático e com ótimo trabalho do ator, que sustenta suas cenas mesmo sem ter com quem contracenar.

Cenário oposto ao de Interestelar. Sem grandes spoilers: o caso é que o também astronauta vivido por ele recebe a atenção de outra tripulação. Ele havia sido enviado, anos antes, para explorar planetas habitáveis além de um buraco de minhoca. Quando a segunda equipe encontra sinais positivos vindos do planeta dele, decide ir até lá para conferir a possibilidade de um local adequado para a sobrevivência humana. O ponto de partida de Interestelar é o fim da Terra por questões climáticas.

Mas existem segredos envolvidos com o personagem, que precisa ser encontrado.

O fato é que agora, em A Odisseia, dirigido por Christopher Nolan, Damon interpreta ninguém menos que Ulisses (Odisseu), o herói da epopeia de Homero. E a trama inteira é sobre um homem tentando voltar para casa após a Guerra de Troia. Se juntarmos as histórias de A Ilíada e A Odisseia, o protagonista fica 20 anos longe de casa.

Ou seja: não deixem Matt Damon sair de casa, roteiristas. Ou talvez deixem, porque até aqui as peripécias dele renderam ótimos filmes.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais