Dia do Cinema Brasileiro e a diversidade de nossa produção
Não se deixe iludir, no Dia do Cinema Brasileiro, anote cinco filmes nacionais que mostram a versatilidade de nossa produção
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O dia 19 de junho marca o Dia do Cinema Brasileiro e me lembrei de um papo que tive com um desses detratores da produção nacional. Sabe aqueles clichês em que alguém diz que as produções nacionais são monotemáticas ou de produção fraca? O mesmo tipo de pessoa que se afunda no mesmo tipo de filme de Natal no fim do ano e que, ao se deparar com uma narrativa diferente do cinema norte-americano, diz se tratar de um filme chato.
Pois é. Só por isso escolhi cinco filmes bem diversos que estão no Tela Brasil para você assistir agora e de graça.

O Menino e o Mundo — Animação
O filme é quase um musical sobre a relação à distância entre pai e filho. O que é, na verdade, apenas um ponto de partida para uma história sobre o crescimento de uma criança diante da imensidão do mundo. Temos aqui uma produção altamente sensorial e muito bonita. Indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016.

Macunaíma — Comédia/Fantasia
Quem já leu o livro de Mário de Andrade sabe o potencial que uma adaptação como essa tem e, bem, Joaquim Pedro de Andrade não desacelera e cria um filme com pelo menos dois excelentes trabalhos: os de Grande Otelo e Paulo José. Um clássico do cinema brasileiro.

Pixote: A Lei do Mais Fraco — Drama
O filme chegou aos cinemas em 1981, quando a ditadura militar ainda existia, mas já atravessava o processo de abertura política. Era um período em que a censura começava a perder força, permitindo que cineastas abordassem temas sociais e políticos com mais liberdade. Pixote foi particularmente chocante porque expunha uma realidade que boa parte da sociedade preferia ignorar: a situação de crianças abandonadas, a violência policial, os abusos em instituições para menores e a marginalização urbana.

Deus e o Diabo na Terra do Sol — Faroeste
Talvez o filme mais famoso de Glauber Rocha, ao lado de Terra em Transe. Um marco do Cinema Novo, mistura crítica social, religiosidade popular e o universo do cangaço no sertão nordestino. É um faroeste à brasileira, uma releitura do gênero usada para interpretar a realidade do Brasil, criada em um período rico do cinema nacional.

Orfeu Negro — Romance Musical
O longa foi dirigido pelo cineasta francês Marcel Camus, mas se trata de uma produção franco-brasileira filmada no Brasil, com elenco majoritariamente brasileiro e em língua portuguesa. A história adapta a peça Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, transportando o mito grego de Orfeu e Eurídice para as favelas do Rio de Janeiro durante o Carnaval. É feito por franceses, mas com texto e alma brasileiros.
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Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais