Crítica: uma aventura inesperada chamada O Fim da Rua
O Fim da Rua é uma pequena pérola que usa a ficção-científica para criar uma história de sobrevivência inesperada em tom aventuresco
O que é mais incrível no divertidíssimo O Fim da Rua é como o longa-metragem te pega desprevenido em sua proposta. A mistura de aventura e violência, com uma pitada de ficção científica, nunca tem a proporção que você espera de cada elemento — mas tem o tempero exato para aquele caldo.
Não é nenhum spoiler dizer que aqui há uma trama que joga dinossauros em meio a um bairro estadunidense daqueles que o cinema de lá adora. Sem dizer como isso acontece e qual o caminho que a trama vai seguir, posso salientar que o roteirista e diretor David Robert Mitchell tenta nos surpreender — e consegue em 90% das vezes — nos passos de O Fim da Rua, que já está nos cinemas.

Quando a trama parece se confinar, ela se amplia; quando o mistério ganha a tela, logo ele se dissipa porque existem gigantes querendo devorar a vizinhança; quando a ação dá sinais de repetição, Mitchell capricha no seu melhor uso da movimentação de câmera e você vai se chocar com algo inesperado. Aliás, com um tom altamente cômico, é impressionante o quanto de violência o projeto exibe. Não é algo +18, mas os limites são testados. Com bons efeitos visuais, vale salientar.
Assim como o diretor sabe como usar um jump scare. Há pelo menos um susto que pega a plateia por completo, usando o mais manjado dos truques: um elemento sonoro de volume altíssimo. Só que, aqui, justificado da melhor forma possível.
É bem verdade que a produção não se leva tão a sério assim, e, se o diretor/roteirista usa isso para conseguir encaixar momentos hilários, a exemplo da foto do pai com dinossauros ao fundo, no momento em que ele resolve te dar uma pancada, a cena vai te pegar pelo pé inesperadamente.
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Gosto de como Mitchell ainda escreve uma agradável dinâmica familiar. OK, o pai vivido por Ewan McGregor e seu otimismo irritam até sua esposa (Anne Hathaway), mas ele é boa-praça e não dá para, simplesmente, desgostar do cara. O fato é que, como eles se unem tão fortemente, você vai embarcar na aventura ao lado daquela gente.
OK, existem pelo menos duas soluções preguiçosas para momentos decisivos, em que a família está em apuros reais, que me fizeram revirar os olhos.
Só que, àquela altura, o filme já tinha se tornado uma surpresa tão simpática que não dava para simplesmente desgostar dessa pequena pérola chamada O Fim da Rua.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais