Crítica: Um novo Homem-Aranha para Tom Holland
O quarto filme solo do Homem-Aranha defendido por Tom Holland pode não ser o melhor de todo do personagem, mas tem o melhor equilíbrio de aventura e drama
Podemos não estar diante do melhor filme do Homem-Aranha, mas certamente Homem-Aranha – Um Novo Dia é o longa que melhor equilibra o tom aventuresco com o dramático em toda a franquia, desde o início dos anos 2000.
Enquanto na meia hora inicial temos as consequências do filme anterior, Homem-Aranha – Sem Volta para Casa, as duas horas seguintes são, de fato, o novo filme. É possível perceber isso muito bem, mas o roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers é habilidoso na transição, ainda que ofereça uma elipse muito cedo na trama.
Quando as coisas começam a andar por si só, Homem-Aranha – Um Novo Dia já estabeleceu o tom mais sério e dramático desde que Tom Holland assumiu o uniforme do Amigo da Vizinhança. Ele está sozinho e passa a enfrentar não só o que de pior essa condição pode lhe trazer, como também mutações aracnídeas que o transformam de maneira negativa.

Homem-Aranha: Um Novo Dia tem uma dose muito grande de conveniência, e isso se torna a grande barreira do filme, com seus papos de ciência fantasiosa. É preciso relevar que Peter Parker consegue criar alguns dispositivos com função muito específica apenas para que a trama avance.
Superado isso, a produção caminha muito bem entre a ação e o drama. Até algumas participações especiais de outros personagens da Marvel ganham função narrativa. A visão do diretor Destin Daniel Cretton para o personagem, então, é revigorante. Repare que não são tantas as cenas de voo do Aranha pela cidade, mas cada uma delas conta. Parece não haver pressa, mesmo que, claro, a movimentação seja intensa.
Cretton ainda recria alguns momentos dos quadrinhos que são plasticamente muito bonitos, mas, particularmente, percebo que seu grande momento de ação é o combate do protagonista com os ninjas do Tentáculo em uma ilha.
Leia Mais
Além dos aspectos mais pessoais de Parker, a grande introdução de Homem-Aranha – Um Novo Dia é a personagem de Sadie Sink. Não se pode falar muito sobre ela sem estragar grande parte da história, mas ela é um excelente catalisador para a temática do filme. A liga que eleva esse novo capítulo da franquia se dá entre o herói e a personagem, indo muito além de um embate comum entre protagonista e antagonistas.
Existe uma cena envolvendo MJ e um reencontro com Peter no alto de um prédio que vai do terno ao mais triste que se poderia imaginar naquele contexto, fazendo da sequência um resumo do que estamos assistindo ao longo de todo o filme.
Homem-Aranha – Um Novo Dia é uma aventura que foge do esperado, ainda que entregue tudo o que um blockbuster precisa dentro da máquina Marvel. Se Sem Volta para Casa foi uma divertidíssima surpresa, aqui temos o filme que melhor explora o personagem nesta era de Tom Holland.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais