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Crítica: Supergirl começa bem e terminal mal

A nova versão da Supergirl tinha potencial, mas termina da maneira mais genérica possível e como criação de um novo universo isso é uma problema para a DC

, em Uberlândia

Vamos deixar de lado a polêmica sobre as possíveis interferências de James Gunn em Supergirl e analisarmos o que essa obra, como tal, pode oferecer.

Preciso confessar que toda a primeira metade do filme me pareceu bem promissora, principalmente no que diz respeito ao visual. Fotografia e direção de arte sabem utilizar muito bem esse início para contrapor baixa iluminação e neons (e chamas), criando um ar muito descolado ao filme. Também posso citar toda a passagem em Krypton e a fuga da família de Kara do planeta em colapso. É o oposto do restante do longa, com luzes e cores mais claras, refletindo o pequeno refúgio da protagonista.

O filme custou US$ 170 milhões e faturou US$ 125 milhões – Crédito: Divulgação/Warner/DC

Tudo bem que essa primeira parte recicla muita coisa trazida da filmografia de Gunn, como o plot. Se Kara precisa achar um antídoto para salvar Krypto, você viu missão semelhante em Guardiões da Galáxia Vol. 3. Da mesma forma que o mesmo tipo de tomada de Guardiões 2, na qual Baby Groot não vê um combate que acontece no fundo do quadro em sua dancinha, a jovem Ruthye (Eve Ridley) não vê uma pancadaria em um bar desenrolada em um plano muito parecido.

Mas o filme vai se desenrolando espirituosamente até que deixa de ser e se transforma em um grande genérico de qualquer outro longa-metragem sobre super-herói.

É bom que se saiba ainda que a participação de Jason Momoa como Lobo é mais um penduricalho de Supergirl, não fazendo grande diferença para a produção em termos narrativos.

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Também não tenho como defender o arco da protagonista com relação à busca por um lugar no mundo. O que ela passa com Ruthye simplesmente não tem qualquer ligação direta com os fantasmas do passado da heroína, e uma vingança não justificaria a superação da perda de Kara. É estranho — tanto quanto as várias conveniências do roteiro que ajudam a personagem principal a sair de algumas situações.

O que fica de verdade de Supergirl é sua protagonista. Milly Alcock é carismática e consegue defender o uniforme sem o escoteirismo de seu primo Superman, equilibrando a balança dos kryptonianos.

E, voltando à polêmica, é bom que se diga: oficialmente, Supergirl é dirigido por Craig Gillespie — mas nem parece mesmo.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais