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Crítica: Repetitivo, O Jogo do Predador não foge da indiferença

Basicamente usando canais de água para fugas, O Jogo do Predador não sustenta sua promessa de criatividade para um filme de perseguição

, em Uberlândia

O Jogo do Predador tem aquele estilão de filme que pode ser extremamente criativo justamente por partir de uma premissa muito simples. No caso desse lançamento da Netflix, contudo, o que sobra é só mesmo a promessa.

Repetitivo, o filme começa com aquela trama de gato e rato levada ao extremo da caçada humana literal. Charlize Theron é a protagonista traumatizada que vai se isolar e viver seu contato com a natureza no interior da Austrália. Taron Egerton é o “malucão” que se revela aos poucos e, claro, se torna o predador do título brasileiro — bem ruim, diga-se de passagem.

O problema é que, por mais que o filme invista na noção de que vamos ter uma perseguição que poderá explorar o potencial de ação radical, baseada em esportes do tipo ou em sobrevivencialismo, a trama sempre dá seu jeito de voltar para a água. Explico: se a protagonista foge por uma trilha, ela vai cair na água. Se ela briga diretamente com o vilão, vai procurar um rio para se manter longe do cara. Tudo parece terminar nesse tipo de mecanismo.

O Jogo do Predador está no catálogo da Netflix – Crédito: Divulgação/Netflix

OK, por mais que, naquele ponto específico, essa seja uma possibilidade real, estamos falando de um filme de caçada humana e de um perseguidor que se mostra cada vez mais fanático, o que é bem diferente de uma produção calcada no realismo. Por isso, o que se espera é que, ainda que O Jogo do Predador use a grandiosidade natural de uma encosta ou de uma corredeira, temos um filme pequeno aqui, e isso demanda a criação de elementos cada vez mais criativos para o engajamento.

A mulher cair em uma corredeira logo de cara é legal, mas, na terceira vez, eu percebo que direção e roteiro têm pouca inventividade para explorar aquele ambiente.

E olha que havia potencial, principalmente quando o vilão é desdobrado e explica sua obsessão.

Mas aí, para amarrar uma trama circular, claro, ele vai colocar os personagens em uma situação já vista antes em seu desfecho e criar o final mais manjado e anticlimático possível. E não há fisicalidade que Theron possa trazer ou maluquice que Egerton possa emular quem vão salvar o longa da sonolência.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais