Crítica: Minha Melhor Amiga foca nas protagonistas e se esquece do resto
É compreensível gostar de Minha Melhor Amiga, mas aí você deve entender que roteiro é qualquer coisa e que as protagonistas são suficientes
Eu entendo quem gostou de Minha Melhor Amiga, que acaba de chegar na Netflix. Ingrid Guimarães e Mônica Martelli trocam bem, e a química da dupla de amigas reais é indiscutível. Mas, convenhamos, isso não garante que um filme possa ser feito por meio de um fiapinho de trama e das duas batendo bola entre si. Fora que a autoajuda escorre pelos diálogos, tamanho o excesso.
Temos as amigas visitando as filhas na Europa e descobrindo que suas vidas não são tudo o que elas esperavam. A partir dali, Minha Melhor Amiga, cujo roteiro final é assinado por quatro pessoas, se fixa em dezenas de pequenas passagens em que as duas invariavelmente terminam rindo ou flertando com alguém. Tudo isso entrecortado por algumas descobertas sobre as filhas. Não que isso seja automaticamente ruim, mas o caso é que é difícil perceber a trama acontecendo.

OK, elas vão terminar o filme mudadas, mas o arco é quase invisível. É basicamente o roteiro dizendo: “Olha, elas passaram por muitas coisas e são pessoas diferentes do que conhecemos no início”. O caso é que, além de ser uma narrativa episódica, é difícil enxergar profundidade no que elas passam. As desculpas para que as protagonistas sejam inseridas em cada uma dessas situações, então, são apenas isso: desculpas. Haja suspensão de descrença para vê-las em uma improvável mudança de país ou correndo para um show da Ludmilla que nunca acontece.
A dinâmica de cena de Ingrid e Mônica pode até ser leve (ainda que nem sempre natural), mas aí a montagem não ajuda, com uma série de cortes desnecessários ou que quebram a ação sem motivo. E nem vou comentar a longa, cansativa e repetitiva passagem ao som de “Tempo Perdido”, da Legião Urbana. Parece que há música demais para captação de cenas de menos e, se você prestar atenção, vai perceber planos repetidos.
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O longa teve orçamento e foi filmado em locações no Brasil, em Portugal e na Espanha, com fotografia iluminada e bonita, o que ajuda a assistir ao filme. Mas não há tanta graça assim em cena, a não ser, ao que parece, para as atrizes e a equipe.
Imagino que tenha sido ótimo fazer Minha Melhor Amiga. Já acompanhá-lo na tela é um tanto chato.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais