Crítica: Mestres do Universo diverte mesmo com protagonista aquém do elenco
Nem a falta de traquejo do protagonista com a galhofa atrapalha o He-Man de Mestres do Universo, que merecia mais atenção
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Como bem disse um amigo, Mestres do Universo está na mesma categoria de Dungeons & Dragons – Honra Entre Ladrões: um universo mágico, um tanto galhofa e outro tanto divertido. A diferença é que a adaptação dos desenhos do He-Man carece de um protagonista mais carismático. Você vai se divertir, mas com um teto para isso. O filme acaba de chegar ao Prime Video.

Esse live-action da animação oitentista nunca te deixa escapar da piada, mostrando que seu objetivo é contar a história de origem de um personagem que não dá para levar a sério. Até porque o longa-metragem abraça as invenções do material original, que misturava tecnologia de sci-fi, fantasia e ambiente medieval num planeta distante da Terra.
O resultado são boas piadas com todo aquele mundo sem parecer menosprezar He-Man e companhia. Com isso, a maior parte da ação do filme se torna caprichada, com destaque para dois embates: Mentor vs. Mandíbula e o próprio protagonista contra Esqueleto.
O roteiro escrito por Chris Butler e Aaron e Adam Nee, inclusive, consegue fugir da história de origem mais tradicional, sem deixar de contar o mais básico sobre o Príncipe Adam. O resultado é a primeira grande aventura do personagem ao retornar para Eternia e redescobrir aquele mundo e, no processo, nos apresentar à visão do filme para aquele cenário.
É brega, colorido, mas nunca datado, uma vez que até surpreende a qualidade da maior parte dos efeitos visuais de Mestres do Universo. Há umas telas verdes aparentes aqui e ali e uns bonecos digitais menos acabados, mas é difícil achar problemas na cena da invasão do Fera (todo em CGI), quando Adam reencontra Teela e isso se transforma numa boa cena no trânsito.
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Só que tudo esbarra em Nicholas Galitzine. Na pele de Adam/He-Man, não falta esforço para o ator, só que não me parece exatamente que comédia galhofa seja o forte do rapaz. Basta compará-lo a talentos como Idris Elba e Jared Leto, ambos soltos em seus papéis. Parece que Galitzine está ali mais pelo porte e beleza que por qualquer outra coisa.
Aliás, vale ressaltar o vilão. O Esqueleto de Leto é divertido, malvadão, caricato e com uma caracterização excepcional. Há expressividade na voz e na movimentação do personagem, inclusive na substituição de seu rosto pela caveira já conhecida do vilão. Enquanto isso, Idris Elba e Camila Mendes parecem se divertir em seus trabalhos.
E, mais uma vez, assim como Dungeons & Dragons – Honra Entre Ladrões deveria ter tido maior atenção quando foi lançado, em 2023, Mestres do Universo não merecia ter sido o grande desastre nas bilheterias que se tornou. Certamente terá uma rodagem melhor em streaming.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais