Crítica: Mayday tem crítica social, mas é uma diversão só
Estrelado por Ryan Reynolds e um improvável Kenneth Branagh, Mayday parte de uma coincidência absurda em direção a um filme muito divertido
Às vezes você só precisa descansar a cabeça com uma aventura sem muitas preocupações políticas. Você não terá os dois em Mayday, filme disponível na Apple TV.
OK, a profundidade política não é o forte do longa, mas ela está lá.
Ryan Reynolds é um piloto estadunidense que cai em território soviético em plena Guerra Fria, nos anos 80. Antes da KGB, ele é encontrado por um morador isolado que, convenientemente, é um admirador secreto da cultura dos Estados Unidos. O militar americano precisa voltar para casa e o russo vivido por Kenneth Branagh quer ajudá-lo, sob condições, claro.
O que se tem à frente é ação e comédia inspiradas, ainda que o roteiro parta de uma coincidência das mais improváveis. O caso é que os roteiristas e diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein não são divertidos apenas com as palavras, mas visualmente o longa também é interessante. Há pancadaria muito bem coreografada, uma viagem de carro resumida a paisagens em jump cuts, enquanto o carro dos protagonistas se mantém tranquilamente “rodando”, e pelo menos um momento fora da curva de tão engraçado. É quando Reynolds e Branagh se escondem no lugar mais clichê possível e, ainda assim, a escalada da cena é hilária.
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Mayday cutuca a venda do modo de vida americano como perfeito e a propaganda contra inimigos. Mesmo não sendo sutil, a crítica está inserida organicamente na trama e só se transforma em problema quando usada da mesma forma que artifícios de comédia romântica para desestabilizar a relação dos protagonistas.
Inclusive, a resolução é tão apressada e simplória que nem uma boa gracinha/malandragem do piloto disfarça a facilitação do momento.
E, como eu disse, Mayday é divertido e não vai deixar de ser por não ter uma grande reflexão sobre seus temas políticos. E, pensando bem, por ser quase didático e leve, pode ter suas alfinetadas melhor assimiladas pelo público amplo do que se fosse uma crítica social daquelas mais cabeçudas.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais
