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Crítica: Corrida Contra o Tempo te dá sono antes de te enganar

O novo filme de Gal Gadot, Corrida Contra o Tempo, deveria irritar com seu roteiro enganador, mas ele te acalma antes e te deixa indiferente

, em Uberlândia

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Poderia dizer que o roteiro enganador de Corrida Contra o Tempo seria o maior problema do longa-metragem estrelado por Gal Gadot e já disponível no Prime Video. Mas, pensando bem, é impressionante que um filme que deveria ser uma grande dose de tensão, chegue a desacelerar em seus primeiros minutos.

O filme parte do sequestro do filho de Gadot e de como isso será usado contra a protagonista para que ela dê cabo de uma testemunha-chave de um caso no qual está envolvida. Junte a esse plot nada original o fato de ela ser monitorada a todo tempo — ou quase isso.

Filme está no catálogo da Prime Video – Crédito: Divulgação/Prime Video

Por algum motivo, o criminoso que passa a controlar os passos da mulher a obriga a correr até o hotel onde está a testemunha. Tá aí o filme.

Primeiro, para essa história começar, você precisa acreditar que o criminoso é efetivo a ponto de saber o dia em que Gadot vai deixar o filho ir para a escola sozinho pela primeira vez na vida – decisão tomada quando mãe e filho deixavam a casa no dia em questão. Depois, que ele consegue fazer um percurso relativamente complexo muito rapidamente.

E nem vou reclamar da vigilância absurda em si para cima da mulher; esse elemento é facilmente aceito com certa suspensão de descrença. Mas o fato é que, aqui e ali, ela consegue driblar tão facilmente seu algoz que chegamos ao absurdo de ela estar se deslocando de metrô e ele, mesmo percebendo a aceleração, não desconfiar que a mulher esteja mentindo para ele.

De qualquer forma, se houvesse ali uma verdadeira agonia com essa correria pela cidade, o exagero poderia até ajudar, afinal estamos em um filme e não na vida real.

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Todavia, a grande verdade é que Corrida Contra o Tempo é chato. Quando instigada a correr pela vida do filho, o longa deveria entrar em grande tensão, com uma mãe desesperada para dar conta da missão ou elaborar uma alternativa para salvar o filho. Só que a decisão do diretor Kevin Macdonald é baixar a adrenalina e colocar alguns silêncios cortados pela respiração ofegante de Gadot e alguns diálogos sobre o passado da mulher.

É como se o filme apostasse naqueles momentos triviais da vida em vez de montar o deslocamento com instantes realmente fora da curva. O pior é que não se trata de uma passagem apenas: o filme não engrena, não te arrasta para o pesadelo que deveria ser a situação.

Ao final, ainda requenta um dos momentos mais marcantes de O Preço do Resgate (de 1996!), para dar peso extra a um papo forçado sobre controle de narrativa — o qual parece ser o grande motivo de o roteiro de Mark Gibson existir.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais