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Crítica: Backrooms tem conceito, mas guarda algo pra si

Backrooms - Um Não-Lugar é um terror de espaços liminares que não entrega todo o potencial por questões comerciais, mas agrada até onde vai

, em Uberlândia

É sempre bom vermos algo do qual temos pouca ou nenhuma referência e sermos transportados para um lugar completamente novo. Backrooms – Um Não-Lugar é quase isso, literalmente. Agora, como filme, trata-se de uma obra cinematográfica que clama por continuações. O filme acaba de ser liberado para aluguel digital.

O filme se passa na década de 1990, quando as tais backrooms parecem surgir e engolem nossos protagonistas. Aqueles ambientes liminares amarelados, com luzes e sons inquietantes, são descobertos por Clark (Chiwetel Ejiofor). O arquiteto e dono de uma loja fracassada passa por um grave problema na vida pessoal, e todo aquele mundo perturbador se torna sua nova obsessão. É por meio dele que seremos levados àquelas salas. Ao mesmo tempo, a terapeuta do protagonista, Mary (Renate Reinsve), também vai acabar lá por vontade própria ou não.

O filme acaba de chegar para aluguel digital – Créditos: Divulgação/A24

Surgido na internet por meio de fóruns, curtas e jogos, o conceito de Backrooms é aberto e ganhou um sem-número de ampliações e, pessoalmente, acho que nem precisaria de algumas delas para ser bizarro o suficiente – as criaturas, por exemplo. Apenas o fato de aquelas salas se parecerem com lugares reais, mas apresentarem elementos distorcidos do que conhecemos, já seria suficiente para dar um nó na minha cabeça.

O roteiro do longa-metragem, então, trabalha com a premissa de que as mentes perturbadas daquelas pessoas terão um espelho naquele ambiente estranho.

Preciso dizer que a construção daquele mundo vai fundo, com cômodos cada vez mais diferentes. Tendo ainda o benefício de caber mais deturpações sem perder um pé na realidade, o que deixaria tudo ainda mais assustador.

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Gosto ainda da cadência de Backrooms, que consegue nos apresentar os dramas pessoais dos protagonistas ao mesmo tempo em que vai nos jogando para dentro das salas escondidas.

Se, no final, alguns elementos mais comuns do horror são jogados para dentro da trama, é porque nenhum estúdio quer perder dinheiro e busca um público cada vez mais amplo. OK, perde força na bizarrice, mas não chega a estragar a brincadeira.

Mas é um pouco chato perceber que há muito guardado para uma provável continuação, pois, se fossem excluídas as perseguições e melhor elaboradas as estranhezas que o filme apresenta sem se aprofundar — como a presença dos pesquisadores —, Backrooms poderia ser a obra definitiva desse tipo de horror baseado nos tais espaços liminares.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais