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A bilheteria ruim de Supergirl não pode levar a DC a repetir erros

A DC Studios já se atropelou tentando ser a Marvel e faltou planejamento, com isso, o tropeço com Supergirl não pode fazer com que a empresa deixe ter visão de longo prazo.

, em Uberlândia

É fato que a bilheteria de Supergirl ficou bem abaixo do que se imaginava, mas, se a DC Studios quiser criar um universo coeso e, no mínimo, parecido com o que a Marvel fez nas duas últimas décadas, não pode repetir erros recentes.

Quando Batman v Superman não bateu a casa do bilhão em 2016, a DC viu aquilo como um fracasso, ainda que ele tenha dado lucro com uma bilheteria de quase US$ 875 milhões. O caso é que o estúdio tentava acelerar seu passo para acompanhar a concorrente Marvel. Em vez de criar um universo sólido, apresentando seus principais nomes, fez de Batman v Superman uma mola para colocar praticamente todas as suas bases em uma única obra e, em seguida, lançar sua primeira grande equipe no ano seguinte.

Na tentativa de ajustar o tom e buscar o mesmo público crescente da concorrência, ainda em 2016, a DC também picotou e remontou Esquadrão Suicida, algo que voltaria a fazer com Liga da Justiça em 2017.

Empresa não teve planejamento e não pode repetir o erro – Crédito: Divulgação

O que estou tentando dizer é que, por mais que a casa de nomes como Batman, Superman e Mulher-Maravilha tentasse criar um universo compartilhado, parecia faltar planejamento. Filmes e roteiros pareciam ser feitos ou refeitos com muita sensibilidade à temperatura da audiência da Marvel. A DC não tinha uma visão própria e, a cada tropeço causado por esse tipo de afobação, as coisas precisavam ser readequadas, enquanto faltava unidade.

A chegada de James Gunn e Peter Safran apontou para uma mudança nesse tipo de mentalidade. Ou seja, a ideia era que eles moldassem os filmes do estúdio e, a partir da montagem de uma nova base, a DC construísse seu novo universo compartilhado de adaptações de quadrinhos para o cinema.

Se Supergirl arrecadou apenas US$ 68 milhões em sua bilheteria mundial no primeiro fim de semana, que seja pensada uma maneira de amortecer esse prejuízo, mas que não haja desespero nem um novo atropelo. Claro, rever roteiros fracos, se for o caso, é essencial para que bons filmes possam existir.

Só que outra coisa que a empresa também tem que levar em conta é o momento dos filmes de heróis. Eles não têm a mesma relevância desde o fim da última década. A própria Marvel tem amargado números baixos em produções como As Marvels, que arrecadou US$ 206 milhões no mundo frente a um orçamento de US$ 270 milhões, ou Thunderbolts, que não passou de US$ 382 milhões.

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“Talvez Supergirl não tenha cumprido nossas expectativas na bilheteria, mas é apenas um pequeno componente de uma longa estratégia na DC Studios, na qual continuamos confiantes”, disse Safran sobre o projeto mais recente da empresa.

Isso pode tanto ser um bom sinal quanto uma forma de a chefia se justificar, claro. Só que um projeto de longo prazo vai ter seus problemas, e a DC tem histórico de não saber lidar com eles, ainda que exista uma boa perspectiva de ganhos futuros.

Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais