Viu uma cobra ou jacaré em Uberlândia? Veterinário explica por que eles aparecem no calor e o que nunca fazer
Calor e seca deixam répteis mais ativos e podem levar animais silvestres a áreas urbanas em busca de água, alimento e abrigo; veterinário orienta como agir nesses casos
Quem encontrar uma cobra, jacaré ou outro animal silvestre em uma área urbana de Uberlândia não deve tentar capturá-lo, tocar ou espantá-lo. O alerta é do médico-veterinário Márcio Bandarra, que explica que o período de calor e estiagem pode favorecer o deslocamento desses animais em busca de água, alimento e abrigo.

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Cobra, enxame de abelhas e jacaré em Uberlândia
A orientação ganha relevância diante de registros recentes na cidade. Nesta segunda-feira (17), um jacaré foi filmado na Lagoa dos Patos, no Parque do Sabiá.
No mesmo dia, uma mulher de 67 anos foi atacada por um enxame de abelhas no bairro Guarani.
Já na semana anterior, uma cascavel foi encontrada na porta de uma residência no bairro Aclimação.
Por que animais silvestres aparecem mais no calor?
Segundo Bandarra, o clima quente pode aumentar a atividade de répteis porque esses animais dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal.
“Os répteis, em geral, são animais que têm o sangue frio, então eles precisam do calor.”
Com temperaturas mais altas, esses animais tendem a aparecer. O veterinário explica que isso pode aumentar sua movimentação em busca de presas e de condições adequadas para sobrevivência.
“Eles ficam mais ativos com o calor. Então, esses animais costumam ser mais vistos nessa época justamente porque estamos em um período quente.”
Embora o comportamento das abelhas seja diferente do observado em répteis, a recomendação é semelhante: não se aproximar, não tentar remover o enxame e não provocar os insetos.
A movimentação pode desencadear um ataque e colocar outras pessoas próximas em risco.
Em situações de calor intenso, também podem ser observadas grandes concentrações de abelhas do lado de fora da colmeia, comportamento associado à tentativa de reduzir o estresse térmico.
Seca faz animais procurarem água e abrigo
A situação ocorre em um momento de temperaturas acima dos 30°C e baixa umidade relativa do ar no município e na região.
Nos últimos dias, Uberlândia chegou a registrar 35,1°C, maior temperatura de agosto desde 1996 na estação meteorológica da UFU, segundo levantamento divulgado pelo Paranaíba Mais. A previsão também indica a permanência do tempo seco e de temperaturas elevadas.
Leia Mais: Uberlândia registra maior temperatura de agosto desde 1996; calor deve continuar
Além da temperatura, a estiagem é outro fator apontado pelo especialista. Com a redução de rios, córregos e outros pontos de água, animais podem percorrer distâncias maiores para encontrar recursos.
Bandarra também cita a perda de habitat como um dos fatores que ajudam a explicar a presença desses animais nas cidades.
Segundo ele, áreas desmatadas deixam de oferecer abrigo e condições adequadas para a fauna. Como consequência, os animais podem procurar estruturas mais protegidas.
“Eles também estão perdendo habitat, buscam abrigos mais seguros, mais fechados, que proporcionem um conforto térmico melhor, além dos alimentos.”
A disponibilidade de água e alimento também pesa nessa busca. Em áreas urbanas, determinados locais podem oferecer condições mais favoráveis do que regiões naturais afetadas pela seca.
Queimadas também podem expulsar animais
As queimadas são outro fator que pode provocar o deslocamento da fauna. Mesmo quando o incêndio ocorre distante dos centros urbanos, a destruição ou alteração do ambiente pode fazer com que animais deixem suas áreas de origem.
Por isso, o aparecimento de uma cobra ou jacaré em uma rua, residência ou parque não deve ser interpretado isoladamente. O comportamento pode estar relacionado a uma combinação de condições climáticas e ambientais.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre?
A aproximação de animais silvestres das cidades não significa, por si só, que eles estejam procurando atacar pessoas. Na maioria dos casos, os animais estão em deslocamento em busca de condições adequadas para sobreviver.
A recomendação do veterinário é não se aproximar do animal. A prioridade deve ser manter pessoas e animais domésticos afastados até a chegada de uma equipe especializada.
“Nunca toque no animal, nunca se aproxime do animal.”
A orientação é:
- mantenha distância do animal;
- retire crianças e animais domésticos do local;
- não tente capturá-lo ou colocá-lo em caixas;
- não jogue objetos, água ou outros materiais para fazê-lo sair;
- não tente matar ou ferir o animal;
- acione uma equipe especializada;
- se for seguro, registre a localização e faça imagens de longe para ajudar na identificação.
Em Uberlândia, o Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193. A Polícia Militar de Meio Ambiente e equipes especializadas em manejo de fauna também podem atuar nessas ocorrências.
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