Um dia de quase fúria e uma lição de vida
Em um dia comum no hospital, um encontro inesperado me proporcionou uma lição de vida valiosa
O nome dele é Evandro. Ele veio de forma silenciosa e nos abordou com voz serena. Perguntou se a senhora sentada na cadeira de rodas era a mesma com o nome registrado no pedido de exame. Confirmei os dados e ele gentilmente se prontificou a levá-la para a outra sala.
A recepção estava lotada no início da semana. Muita gente de todas as idades aguardava por ultrassom, mamografia e outros procedimentos. Fiquei meio sem saber o que fazer diante da inesperada preocupação com a saúde da minha mãe.
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Me vi atropelando as horas da segunda-feira, em uma pressa por respostas que certamente não viriam naquela hora. O resultado só viria no tempo exato da espera.
A espera… isso nos incomoda! Queremos tudo para ontem. Não queremos contar os minutos, os segundos para o pronto ficar.
Evandro empurrou a cadeira e me trouxe de volta ao lugar. Não aquele onde me sentei perto da entrada do raio-X. Com tamanha calma, ele me mostrou o presente: aquele instante de entender que é preciso aguardar.
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Não há como avançar, pois a queda pode ser maior. E não falo de um simples arranhão, mas de deixar a raiva tomar conta. Assim estava eu, talvez pela tristeza de perceber a fragilidade de quem sempre foi forte e me deu a vida. Ainda é forte, mas a fragilidade dos ossos e a idade a deixam mais vulnerável.
Entendo a finitude, mas me assusto e gostaria de tirar a dor dela. Posso? Só com um afago. E é o que faço, assim como Evandro fez. Toda vez que passava por ela, ele a cumprimentava e perguntava se precisávamos de algo. Ao terminar o exame, nos levou até o carro. Nos abençoou e elogiou dona Ivone, que parecia abatida pelo incômodo. Ela retribuiu com a serenidade de sempre. Entre os dois, percebi minha impaciência desmedida diante do inesperado.
E o que é a vida, senão o inesperado que nos surpreende? Ivone e Evandro me mostraram, no início de um mês e de uma semana, que a qualidade de vida também depende da inteligência emocional que cultivamos para lidar com a rotina e os imprevistos.