Mônica Cunha

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Onde foi parar o simples ato de esperar em nossa rotina?

Na crônica desta semana, Mônica Cunha reflete sobre a impaciência crescente no trânsito e na rotina da cidade. Onde foi parar o simples ato de esperar? Uma análise necessária

, em Uberlândia

De segunda a sexta, sempre desço pela mesma avenida. Por hábito, ou pelo automático, o caminho tem sido este há anos. Estou acostumada com o trajeto que me mostra o presente, mas também um passado com menos movimento e mais casas ao longo dela.

A nostalgia é inevitável, e agora junta-se a ela um sentimento de indignação. Fui arrebatada, nesta última semana, pela ausência de um verbo tão necessário na nossa vida urbana: o esperar! Aonde ele foi parar?

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No trânsito, poucos param, muitos atravessam e se agarram àquela espiada rápida para confirmar que ninguém vem e seguir adiante. Parece que esperar é atrasar-se, é perder tempo. Uma urgência descabida e sem sentido, que aumenta o perigo, principalmente quando estamos entre vidas.

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Não se espera mais! Será que aguardar está ultrapassado?

Essa atitude se manifesta na fila do pão, ao passar pela porta ou até mesmo no simples ato de ceder a vez. Não importa a idade, mas sim a falta de gentileza, educação e respeito que era demonstrada pelo simples ato de esperar o outro.

Crédito: Freepik

A impaciência é tão evidente que muitas vezes somos incapazes de aguardar a vez de falar. Atropelamos as palavras do outro com as nossas, e a comunicação se desfaz. Nesse ritmo, escutar a voz de quem manda uma mensagem precisa ser na velocidade mais acelerada.

É a agonia desenfreada dos tempos de hoje, a falta de fôlego e de pausa para viver o instante exato do agora, do presente que se mostra. Ele se esvai porque simplesmente o saltamos, o evitamos.

Esperar rima com respirar. Talvez esteja aí o segredo para descobrirmos a beleza do que o dia pode nos trazer.