O tempo não voa, ele escapa: reflexões para 2026
Entre xícaras de café e conversas com a mãe, uma pausa necessária para repensar a correria e o que realmente importa no novo ano
Soprei as horas durante a folga de Natal. O contar do cronos simplesmente desapareceu da minha vista. Dei-me conta do sol, atrevido neste verão, espremendo-se na fresta da cortina, e percebi a noite avançando um pouco mais tarde. Na verdade, entreguei-me ao tempo que lhe cabia.
E pergunto-me, a pouco de este ano terminar: qual é o tempo que nos cabe? Aquele que nos engole, devora e massacra, ou aquele que nos acolhe e permite sermos “mais vivos”? Eu sei que estamos vivos; afinal, o coração bate, o cérebro comanda, acordamos, comemos, dormimos e tudo se repete. Parece o mesmo dia, todos os dias, apesar de pequenas diferenças.
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Nessa toada, quando percebemos, mais um ano se foi. Acabou! Já? Como assim? Nossa, como está acelerado! São tantas as expressões, as dúvidas e a busca para entender a velocidade da existência. Tantas respostas e explicações podem surgir, mas será que nos convencem?

Se a resposta for sim, tudo bem, amanhã tudo segue normalmente. Porém, se o desconforto “belisca”, pode ser o momento de parar e rever essa correria que, muitas vezes, ri de nós. Debocha da nossa ausência de nós mesmos; da nossa falta em tudo e para quem é importante no nosso mundo particular. Somos fantasmas nos nossos espaços e entre os nossos.
Eis um desperdício de tempo. Saber disso faz o estômago revirar e a garganta apertar.
Na folga que tive, muito do meu tempo foi para minha mãe e para mim. Ensinei-a a preparar café em uma cafeteira italiana, confessei meus medos, assistimos ao noticiário e saboreamos meu bolo de aniversário. Vivemos aquele tempo presente e a presença que sustenta. Para 2026, é exatamente o que quero para mim e o que desejo a você!