Mônica Cunha

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Cabelos de Neve

Vou sentir tanta falta das nossas conversas desafiadoras, do nosso entusiasmo para tudo que surgia

, em Uberlândia

Cabelos de neve
Mônica Cunha com Aida Cruz – TV Paranaíba/Divulgação

Eu pensei em você a semana inteira. Acho que até te mandei uma mensagem no celular, um sopro de força e de carinho, porque o seu silêncio já me demonstrava que o enfrentamento não estava fácil. Às vezes a força se vai; a gente tenta se agarrar, mas, em muitas vezes, não consegue mais segurar.

Eu soube da sua partida logo depois do programa — aquele que eu sei que você sempre assistia e onde você sempre esteve em momentos especiais. Quando o olhar do meu amigo Danilo me contou, o mundo parou. Até agora, no momento em que escrevo para você, eu ainda não assimilei. Eu falei de você ontem. Pensei num daqueles temas bem polêmicos que a gente amava discutir.

Vou sentir tanta falta das nossas conversas desafiadoras, do nosso entusiasmo para tudo que surgia. Vou sentir falta de receber as suas ponderações sobre as minhas crônicas, os seus elogios, o seu olhar generoso para tudo o que eu fazia. A nossa conexão foi imediata. Talvez pelo signo, talvez pelos corações, talvez porque você tenha enxergado em mim alguém que eu mesma nem conhecia tão bem quanto você. Você lia os meus olhos, me contava das suas intuições. Você me protegia.

E agora, amiga?

Você foi numa sexta-feira. O dia em que você sempre ia para o Ranchinho, seu lugar de paz, seu lugar de flores. Abençoada que sou, sempre recebia uma foto ou duas. Havia sempre um instante no qual você se lembrava de mim.

Tá vendo? Mais um ponto de conexão: a paixão pela natureza. Essa natureza que conversa conosco.
Na mesma sexta em que você partiu, eu acordei com a alma muito desconfortável. Acreditei que fosse pela rinite, pela noite mal dormida, pelo cansaço normal de fim de semana. Porém, quando a notícia me destruiu por dentro, eu entendi o que de fato já pressentia. Você, de alguma forma, me avisou sobre a sua despedida. Eu não quero acreditar, mas sei que se faz necessário, e o peso da sua ausência já me esmaga.

Depois de saber da sua partida, eu ainda tinha mais um trabalho a fazer. E foi ali, no meio daquilo que nós, boas mineiras, amamos — entre vários goles de café, fatias de queijo com geleia e pão de queijo —, que eu celebrei a sua vida. Uma vida tão rica em afeto, em conhecimento, com uma família tão linda.

Preciso terminar este texto e está difícil, porque as palavras que tanto compartilhamos parecem querer que eu continue essa conversa íntima. Mas ela precisa que os outros a escutem. E você me escutou tanto…

Para encerrar este capítulo, receba o meu amor onde quer que você esteja. Eu não acredito que tudo acaba aqui. Sei que existe um lugar e, se você está nele, que não haja dor. Que você possa sorrir, passear, se encantar.

Obrigada. Obrigada pela nossa amizade real, verdadeira, agregadora e, agora, cheia de saudade. Fica com Deus, minha amiga dos cabelos de neve.