Mônica Cunha

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A doença do lazer: como o perfeccionismo sabota seu descanso

Especialistas alertam para os riscos da "doença do lazer" e como evitar que a busca pela perfeição sabote seus momentos de descanso

, em Uberlândia

Da cama pulei para fazer café. Uma garrafa rosa que uso no fim de semana. São pelo menos uns 300 ml dessa minha bebida preferida. Chovia e depois de preparar as frutas picadas com um pouquinho de granola e um fio de mel sentei-me à mesa, bem de frente ao meu pequeno jardim onde há um pé de carambola, a jabuticabeira teimosa ainda me devendo as “bilocas doces” e a camélia que me parece raquítica depois da poda.

Fiquei por um bom tempo mergulhada naquele cenário enquanto alimentava meu corpo. Eu tenho a mania de me apavorar com horário. Talvez pelo fato de que há anos lidar com o relógio é parte da rotina para que tudo saia como o programado. E levo isso para o fim de semana. Você também tem esse hábito? Se a resposta é positiva saiba que diante desse comportamento associado ao perfeccionismo podemos ter ou teremos o que os especialistas chamam de ‘doença do lazer’.

Os sinais são óbvios porém devem ter passado batido porque não sabíamos que ela existia. Uma dor de cabeça desavisada. Uma vontade de simplesmente fazer muito, mas a coragem para tanto não vem. Então, o cinema, o encontro com os amigos, o sorvete, a ida ao parque ficam empoeirados na gaveta por um ou mais sábados e domingos.

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Essa situação acontece muito pela sobrecarga de trabalho e por um jeito exigente e perfeccionista de encarar a vida. Uma combinação que atrapalha o relaxamento tão necessário ao qual temos direito. Numa sociedade moderna o estar de gola, o ócio podem trazer um sentimento de culpa, como comentou a psicóloga Rosália Moreira, no programa Você com Mônica Cunha.

É tão interessante porque esperamos tantos por essa folga, por essas horinhas de agenda livre que quando elas chegam adoecemos. É justo? Não, claro.

E como fazemos para isso não se tornar uma regra e acabarmos parando num hospital? Primeiro, observar os sinais do corpo e da mente e se houver algo errado buscar ajuda.

Segundo, pode ser o mais desafiador: mudar a forma que se cobra, diminuir esse peso sobre si mesmo e descansar. Dormir, não fazer nada. Ficar em casa. E se jogar na aventura de viver que é uma para você e outra para mim.

Crédito: Arquivo pessoal

Desacelere. Desligue o celular. Contemple. Evite muito barulho. Escute uma boa música. Ande descalça. Respire.

Conjugue os verbos que vão de permitir saborear cada letra da palavra: LAZER.