Esporte Paranaíba

Análises e comentários sobre o que é assunto no esporte regional, nacional e internacional com Victor Albergaria. Mídia esportiva, resultados e a agenda de jogos com aquele toque de bom humor

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Se quisermos o hexa, precisamos de inteligência contra o Japão

Seja o que o universo quiser no nosso maior desafio hoje, mas precisamos de calma. Falando em tranquilidade, ela passou longe da torcida no jogo que classificou o Uberlândia pra próxima fase da Série D

, em Uberlândia

O que esperávamos ver na primeira rodada da Copa vai acontecer apenas hoje: um duelo maduro e nivelado para o Brasil.

Na estreia contra Marrocos, enxergamos claramente os primeiros problemas graves desse time. Que se corrigiram aos poucos contra Haiti e Escócia, onde vimos evolução sim, mas com sinceridade, frente a adversários muito fracos. Apesar desse detalhe, passamos ainda sufoco contra os haitianos.

Mas a sequência da fase de grupos mostrou que nem os marroquinos são essa bola cheia toda. Sofreram pra vencer a Escócia e quase protagonizaram um vexame contra os caribenhos, mas a qualidade final fez a diferença pro duelo da última rodada.

Enfrentar o Japão agora pode nos dar a cancha que tanto precisamos pro mata-mata. Eles não são grandes referências técnicas, mas dão aula quando falamos de tática. Um time que exige paciência do adversário, insiste no erro dele e sabe sofrer como poucas seleções dessa Copa. Não entram em parafuso na hora da dificuldade. Chegam invictos após terem botado Holanda e Suécia na roda com empates onde jogaram melhor quando quiseram, e o pior de tudo: pela primeira vez, chegam à fase eliminatória de um mundial confiantes.

São oito anos sem perder para times europeus, e quase sete sem perder para sul-americanos. Estão invictos há 11 jogos – entre estes, está a virada sobre os reservas do Brasil ano passado. Além disso, alguns atletas tem dado declarações colocando nossa seleção num patamar abaixo das grandes favoritas do torneio. Já o técnico Hajime Moriyasu diz nos respeitar, mas com um trabalho tão longevo se vê em condições reais de vencer logo mais em Houston.

Ao Brasil: muita paciência. Será um jogo complicado, do nível que precisamos se quisermos mesmo chegar em condições pra brigar com os favoritos. Não precisamos jogar bonito, mas sim de forma eficiente contra um dos times mais aplicados dessa Copa. Precisamos ser fatais, organizados, sem desespero. Que os deuses da bola tenham renovado suas bênçãos sobre Vini Jr.

Palpite? Tá bem, ganhamos. Mas acima de boa exibição, queremos um time com raça e bem postado. Ninguém merece sair da Copa tão cedo por uma apatia preocupante que por vezes reina em campo, mesmo quando ganhamos bem. Não esperem falhas grosseiras da zaga adversária como foi contra a Escócia, nem mesmo uma pobreza técnica como foi contra o Haiti, menos ainda a ansiedade de uma estreia como foi com Marrocos.

Hoje é dureza. E apesar de meu palpite, não será vexame se cairmos. O que eu não creio que vá acontecer, deixando novamente muito claro.

 

CLASSIFICAÇÃO COM PREOCUPAÇÃO

A gente sempre espera melhor quando falamos de Uberlândia. Por muitas vezes nas últimas décadas, tivemos essas esperanças enterradas em momentos onde o vento estava a nosso favor. Não aconteceu sábado, já que nos classificamos pra terceira fase da Série D contra o Rio Branco, mas estivemos perto disso.

É digno de estudo freudiano o que acontece com o Uberlândia em casa. A confiança renovada depois da vitória em Cariacica quase gerou uma celeuma no Sabiá. A postura da equipe tão elogiada no ES simplesmente não apareceu, especialmente no primeiro tempo.

Sair perdendo pro intervalo e jogando tão mal incitou vaias de parte da torcida. Pra mim, e pra variar, elas foram muito precoces. Eu vejo que a insatisfação é cultural quando falamos do time, mas reforço o coro de outros colegas: num momento de decisão como esse, o apoio deve ser durante todos os 90 minutos. As críticas, apontamentos e xingamentos precisam ser feitos no contexto do jogo todo, após o apito final.

Inclusive, na coletiva, Fábio Mineiro criticou a turma dos corneteiros. Disse que já identificou quem puxa vaias e que estes fazem parte de um movimento organizado contra o sucesso do clube. Concordo parcialmente com o presidente da SAF, mas acho que mais uma vez o sangue quente após a partida o faz dar declarações dúbias que soam bem mal com parte da torcida. 90% desta apoia o clube, no calor do momento há sim vontade de vaiar, e muitos às vezes são levados a isso pelo efeito manada. Mas essa lavação de roupa suja diante dos microfones realmente é necessária?

No mais, deixamos o Rio Branco muito à vontade, e isso uma hora pode ser fatal. Eles ficaram à frente do placar duas vezes, em jogadas que se originaram em erros crassos da marcação do Uberlândia, tão elogiada na semana passada. Ainda bem que tivemos o pênalti sobre Calazans e uma bela jogada do meio que terminou com gol do artilheiro Tomás Bastos. Alguns disseram que houve inteligência e paciência por parte do técnico Danilo, mas eu mesmo não concordo. Acho que o time sentiu de novo a pressão de jogar diante da torcida e entregar uma boa apresentação, e correu sério risco de entrar em pane quando esteve perto de ter o placar agregado igualado.

É perigoso apostar tudo em atuações fora de casa. Dentro, essa cobrança precisa acontecer pra ontem por parte da diretoria. Alguns jogadores se acomodaram de forma assustadora no primeiro tempo, estes que inclusive merecem uma reserva há certo tempo.

Agora vamos enfrentar o Serra Branca da Paraíba, que venceu os dois jogos contra o Juazeirense. Ida neste fim de semana em Campina Grande, volta em duas semanas aqui em Uberlândia. Pode parecer um adversário fácil, mas não é. E se não tomarmos tenência, vamos ficar pelo caminho. Até porque se passarmos, teremos a Portuguesa ou o Marcílio Dias nas oitavas de final. Aí é briga de cachorro grande, e infelizmente não temos constância que nos coloque bem posicionados contra equipes mais organizadas.

 

DESASTRE NO MÓDULO II – E GRUPO DA REGIÃO AINDA BAGUNÇADO

Na sétima de 10 rodadas do Módulo II, ressalto a triste queda do Ipatinga no grupo B, que tem pedreiras enormes como Valeriodoce e Villa Nova. O time que foi um dia exemplo em Minas amargurou passos amadores nessa temporada, lidou com um transferban de um caso de 20 anos atrás e chegou a entrar em campo com 7 atletas. Começou o torneio com -6 pontos, e a queda, sabíamos, era iminente. Veio num vergonhoso 6×0 pro Villa em Nova Lima. Duvido, sinceramente, que o Tigre se recupere desse ano.

Pros nossos lados, mais uma rodada onde tudo ficou embolado. Sábado o Guarani venceu a Caldense – de Rogério Henrique, ex-UEC – fora de casa, e saiu da zona de rebaixamento pro G4. No domingo, na rodada de clássicos regionais, confrontos entre Boa x Mamoré e Patrocinense x Uberaba. No primeiro, um 0x0; no segundo, vitória do Colorado agora líder disparado com gol nos acréscimos.

 

Quarta-feira tem rodada cheia, a antepenúltima. O USC pode se classificar se vencer o Boa – muito criticado por sua própria torcida – no Uberabão. O Mamoré, ainda sem mostrar a que veio, tem briga direta contra o Guarani, e o CAP visita a Caldense.

Hoje podemos dizer que a tendência é do USC avançar mesmo em primeiro, mas um tropeço contra a Coruja muda todo o esquema. Na parte de baixo, são quatro times brigando por duas vagas no mata-mata e contra uma pro rebaixamento. Se não mostrarem evolução agora, nossos times daqui serão presas fáceis aos classificados do outro grupo, que vem jogando melhor e dando indícios que são favoritos nas quartas.