Mesmo com ranço, vamos admitir: eles tem a raça que o Brasil não teve
Quartas da Copa estão definidas, e mesmo não acreditando no tetra argentino, eles tem o que um campeão precisa apresentar
Quem já me acompanha há alguns anos sabe que tenho pavor da seleção argentina. Por tudo. Suas ligações políticas escusas, por suas duas primeiras copas roubadas em 78 e 86, pelo doping doloso contra o Branco nas oitavas de final de 90, e por sua torcida ser uma das mais preconceituosas e arrogantes do planeta. O caso da não expulsão de Messi contra a Argélia neste mundial também gera revolta, porque o amor da FIFA pelo principal craque do futebol desde Pelé beira o ridículo.
Mas é inegável que a raça desses caras em campo dá inveja a qualquer pessoa com cérebro bem formado e que gosta de futebol.
O que vimos ontem foi de irritar e ao mesmo tempo causar inveja. O Egito mandou no jogo por 75 minutos, abriu 2×0 – e ainda fez um outro gol que foi bem anulado, queiram ou não. Mas Lionel decidiu entrar no jogo, comandou uma virada histórica dos Hermanos em um dos confrontos mais emocionantes dos 96 anos de Copa do Mundo.

Irrita porque é a Argentina. Dá inveja porque como seria bom ver uma seleção brasileira com 10% da raça desses caras. Que não desiste do resultado mesmo nas maiores adversidades. Eu vi várias vezes ontem em Atlanta o que eu gostaria de ver minimamente em um time mal treinado como o de Carleto nessa Copa. E que pior de tudo: nem esboça pra torcida querer ganhar o título, forçando a toda uma nação engolir que precisamos mudar nosso estilo de jogo dono de cinco taças pra emular de forma porca o que os europeus fazem.
A Argentina nunca terá minha torcida, assim como a França. Mas por jogos como ontem, tem meu respeito como time. Não acho que serão campeões, mas entregaram tudo o que quem quer erguer o troféu oferece. Tudo bem que até agora foram três africanos, uma Áustria e uma Jordânia. Mas o time dos “Lionéis” Messi e Scaloni é extremamente competente.
Agora, tem um duelo com a Suíça. Aquele ferrolho tradicional de sempre. Tende a ser o adversário mais duro até agora.
Só lamento mesmo a falta de maturidade e de jogo de cintura pros times africanos. Incrível como isso não muda. Tirando Marrocos, são sempre uma eterna decepção. Pra quem enxerga um time da CAF campeão do mundo, só digo que se não forem os próximos adversários da França, teremos um domínio por muito tempo ainda de sul-americanos e europeus.
Falando nisso, amanhã a tarde tem a repetição do confronto da semifinal da última Copa. Será um jogo incrível às 17h em Boston. Se você gosta de bom futebol, não perca.
CONTAGEM REGRESSIVA PRA DECISÃO

O Verdão anunciou que já estão à venda os ingressos pra decisão de domingo 16h contra o Serra Branca. Preços acessíveis, a partir de R$ 10, além da promoção do ingresso gratuito pra molecada inscrita no Tarifa Zero. Os acompanhantes deles pagam valor de arquibancada comum. A compra pode ser online ou na loja do Center Shopping.
E quero usar esse espaço pra novamente convocar o torcedor. Pra apoiar o quanto puder. E se vaiar, não se intimide com as falas de cabeça quente do presidente da SAF. Precisamos acreditar. Uma nova vitória contra o bom time do Serra Branca ou até um empate – o menos ideal pelo nosso péssimo retrospecto em casa – nos coloca no caminho de Portuguesa ou Marcílio Dias. Neste duelo, 1×1 na ida. Será duríssimo o adversário nas oitavas, seja quem for.
Se der Portuguesa, a tendência é que o jogo da volta seja no Canindé, a menos que haja novo empate e eles avancem nos pênaltis. Se os classificados forem os catarinenses de Lúcio Flávio, demitido do Uberlândia após a Copa do Brasil, a decisão será no Parque.
Cabeça tranquila até lá e pés no chão. Não merecemos mais um sufoco em casa. Domingo estarei lá na comum, e espero encontrá-los.