Danilo Caixeta

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“Sempre fui de direita”, rebate Paulo Sérgio após ataques de Ana Paula

Prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio, responde às declarações da deputada federal Ana Paula Leão e nega ter migrado para a esquerda, evita ampliar o conflito político e tenta recolocar o debate no campo da gestão

, em Uberlândia

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Durante meses, os bastidores da política de Uberlândia foram tomados por rumores de um distanciamento entre o prefeito Paulo Sérgio Ferreira (Progressistas) e o grupo político liderado pelo ex-prefeito Odelmo Leão e pela deputada federal Ana Paula Leão, ambos do mesmo partido. Primeiro vieram os gestos. Depois, o silêncio. Agora veio a exposição pública.

As declarações da deputada Ana Paula, feitas no último domingo durante entrevista ao Política Cruzada, da TV Paranaíba, ganharam nesta terça-feira (21) uma resposta. Em entrevista ao programa Chumbo Grosso, da TV Vitoriosa, o prefeito Paulo Sérgio respondeu às principais críticas feitas por sua antiga aliada e chegou a dizer que o ataque tivesse ocorrido em razão de problemas pessoais que a deputada e sua família estão passando, em uma insinuação ao processo de Recuperação Judicial que visa renegociar dívidas financeiras das fazendas de Ana e Odelmo.

Chamado pela deputada de “altamente petista” e acusado de ter rompido compromissos políticos com antigos aliados, o prefeito negou qualquer mudança ideológica, relativizou o conflito e afirmou que sua prioridade continua sendo administrar Uberlândia.

Paulo Sérgio
Paulo Sérgio responde Ana Paula e eleva a temperatura da política em Uberlândia. Crédito: Secom/PMU

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“Sempre fui de direita”

A principal resposta de Paulo Sérgio foi justamente sobre a acusação que mais repercutiu após a entrevista de Ana Paula: a de que ele teria migrado para a esquerda. O prefeito afirmou que sua trajetória política é conhecida por aqueles que conviveram com ele ao longo das últimas décadas. “A Ana e o Odelmo me conhecem muito bem há muitos anos. Sabem que eu sou de direita. Os meus princípios são ligados à família, são princípios cristãos e sempre fui de direita”, afirma.

Paulo Sérgio também fez questão de diferenciar convicção ideológica de responsabilidade administrativa. “Como prefeito de Uberlândia, eu fui eleito para administrar para todos. Nós não podemos privilegiar grupos”, disse. Uma forma encontrada para justificar a aproximação institucional com os governos federal e estadual e com parlamentares de diferentes partidos.

A fala procura responder diretamente ao principal argumento utilizado pela deputada, segundo o qual a aproximação institucional do prefeito com o Governo Federal representaria uma mudança de posicionamento político.

“Da minha parte está tudo bem”

Questionado sobre o rompimento político com Ana Paula Leão e Odelmo Leão, Paulo Sérgio classificou as declarações da deputada como “politiqueiras” e ao invés de responder às acusações de traição feitas por ela, preferiu minimizar o conflito. “Da minha parte está tudo bem. Nós precisamos de todos. Essas críticas politiqueiras, para ser sincero, eu não estou muito ligado para isso. Eu quero é trabalhar”.

Em outro momento, disse que prefere compreender o contexto vivido pela deputada e não alimentar o embate. “Nós sabemos o momento eleitoral que nós estamos vivendo. Eu sei que a Ana está passando por problemas familiares, problemas pessoais, dificuldades aí da previsão de não reeleição, mas eu não quero tratar desse assunto, eu relevo isso”, afirma o prefeito. Aqui Paulo Sérgio insinua os problemas financeiros das atividades agropecuárias de Ana Paula e Odelmo e aponta que o ataque da parlamentar seria fruto do receio que ela tem de perder a reeleição. É que o partido de Ana Paula tem hoje 13 deputados em Minas Gerais o que vai exigir um desempenho de votos alto para conseguir vencer a disputa entre os próprios colegas de partido.

Weliton Prado entra na discussão

Outro ponto abordado foi a afirmação de Ana Paula de que Paulo Sérgio estaria repetindo com o deputado federal Weliton Prado a mesma postura que, segundo ela, teria adotado com antigos aliados políticos. O prefeito negou qualquer desgaste na relação e destacou a parceria institucional com o parlamentar.

Durante a entrevista, foi lida uma manifestação atribuída ao próprio deputado Weliton Prado, na qual ele afirma não existir mal-estar com o prefeito e reafirma o envio de recursos para Uberlândia.

Embora motivada pelas declarações de Ana Paula Leão, a entrevista de Paulo Sérgio parece ter buscado um objetivo maior do que simplesmente rebater críticas. Ao longo da conversa, o prefeito fez questão de destacar programas sociais, obras públicas e captação de recursos estaduais e federais.

Uma tentativa de reafirmar perante o eleitor a identidade que pretende consolidar para sua gestão: a de um prefeito que prioriza resultados administrativos acima das disputas partidárias.

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Weliton Prado disse que não se sente traído por Paulo Sérgio. Crédito: Divulgação.

A política entrou em outra fase

Ainda que nenhuma das duas entrevistas tenha tratado diretamente das eleições, seus efeitos extrapolam o noticiário da semana. As declarações de Ana Paula Leão colocaram em xeque a identidade política do prefeito e oficializaram um rompimento que já era comentado nos bastidores. A resposta de Paulo Sérgio procurou preservar sua imagem de gestor independente e reafirmar que buscar recursos de diferentes governos não altera suas convicções pessoais.

O episódio inaugura uma nova fase da política uberlandense. É cedo para afirmar quais serão os reflexos eleitorais desse confronto. Mas um fato parece evidente: a corrida pelas narrativas já começou.

As eleições proporcionais deste ano servirão como primeiro termômetro da força política de cada grupo. E, olhando um pouco mais à frente, começaram também a ser escritos os primeiros capítulos da sucessão municipal de 2028, quando o grupo liderado por Odelmo e Ana Paula Leão deve tentar voltar ao comando da Prefeitura de Uberlândia, enquanto Paulo Sérgio deve trabalhar para consolidar um projeto político próprio que lhe garanta a reeleição.

Um aspecto desta ruptura que também pode preocupar o prefeito é se Ana Paula realmente não conseguir manter sua cadeira na Câmara dos Deputados. Significa dizer que ela estaria com tempo livre para liderar uma frente de oposição ao prefeito contando com sua experiência de quatro mandatos ao lado do marido na gestão municipal e uma rede de apoiadores ocultos que ainda estão inseridos na estrutura administrativa, tal qual aconteceu na gestão de Gilmar Machado.