Morre, aos 92 anos, o autor de novelas Manoel Carlos
Há seis anos, ele foi diagnosticado com a doença de Parkinson e vivia desde então praticamente recluso em seu apartamento
Morreu neste sábado (10/1), aos 92 anos, no Rio de Janeiro, um dos autores de novela mais queridos do Brasil, Manoel Carlos. Há seis anos, ele foi diagnosticado com a doença de Parkinson e vivia desde então praticamente recluso em seu apartamento. Nos últimos meses, Maneco apresentou uma piora em seu estado geral, com o agravamento do comprometimento motor e cognitivo.

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O autor, nascido no dia 14 de março de 1933 em São Paulo, deixou duas filhas: a atriz Júlia Almeida (da relação com Elisabety com quem era casado) e a roteirista e escritora Maria Carolina, do relacionamento com a ex-deputada e radialista Cidinha Campos. Maneco também era pai de Manoel Carlos Júnior, Pedro e Ricardo, todos já falecidos, e estava aposentado das novelas desde 2014, quando escreveu “Em Família” (Globo). Ele fazia parte do rol dos grandes autores da história recente da TV Globo, como Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez e Walcyr Carrasco.
Maneco faz parte da geração que cresceu junto com a televisão brasileira e foi um dos pioneiros da TV no Brasil. Estreou como ator aos 17 anos na TV Tupi , a primeira emissora do país. Em seguida, assumiu as funções de produtor, diretor e roteirista de diversos programas, além de começar a escrever.
Com cerca de 30 telenovelas e minisséries no currículo, segundo o site “Memória Globo” Manoel Carlos se inspirou em sucessos da radionovela para consolidar seu estilo de escrita em dramaturgia e aprendeu muito nos bastidores da televisão, em uma época de pioneirismo e experimentação de linguagem e formatos.
Helena e as mulheres
Além de trazer o Rio de Janeiro sempre como cenário e explorar em detalhes os conflitos familiares, Maneco sempre foi um entusiasta da alma feminina e boa parte de suas produções tinham as mulheres como protagonistas – sejam as novelas ou minisséries. A começar pelo primeiro folhetim dele exibido na Globo, “Maria,Maria”, de 1978, com a experiência de mais de 150 adaptações para a televisão, transformou em novela o romance ‘Maria Dusá’, de Lindolfo Rocha, sob o título de ‘Maria, Maria’. A trama teve direção de Herval Rossano, com Nívea Maria no papel principal, e foi ao ar no horário das 18h.
Manoel Carlos é pai ainda de Júlia Almeida (atriz que participou de várias de suas novelas e minisséries, como “Laços de Família”, “Mulheres Apaixonadas” e “Presença de Anita”), e de Maria Carolina, escritora e roteirista que colaborou com o pai em várias obras. Maneco encarregou Júlia de preservar seu legado por meio da produtora Boa Palavra fundada por ele em 2005.