Lobo-guará é resgatado em estado grave na rodovia MG-427

Animal silvestre foi encontrado sem conseguir se locomover próximo à Conceição de Alagoas; bombeiros suspeitam de atropelamento e caso acende alerta sobre acidentes com fauna no Triângulo

, em Uberlândia

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Um lobo-guará foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros de Uberaba na terça-feira (12), após ser encontrado caído e debilitado às margens de uma via de acesso próxima à MG-427, em Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro. Segundo os militares, o animal apresentava respiração ofegante, não conseguia se locomover e foi encaminhado com vida para atendimento veterinário no Hospital Veterinário da Universidade de Uberaba, em Uberaba.

Lobo-guará é resgatado
Lobo-guará é resgatado às margens da MG-427 em Conceição das Alagoas – Crédito: CBMG/Divulgação

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De acordo com o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada após um transeunte acionar o serviço de emergência 193 ao perceber o estado do animal silvestre às margens da rodovia. Ao chegarem ao local, os militares encontraram o lobo-guará deitado e debilitado.

A principal hipótese levantada pela equipe é de atropelamento, ocorrência considerada frequente em rodovias da região. No entanto, não havia testemunhas no local que pudessem confirmar as circunstâncias do caso.

Lobo-guará é resgatado e levado para Uberaba

Os bombeiros acomodaram o lobo-guará em uma caixa apropriada para manejo de fauna silvestre, forrada para reduzir impactos e vibrações durante o transporte até o hospital veterinário da Uniube.

De acordo com a equipe veterinária responsável pelo atendimento, o lobo-guará deu entrada na unidade em estado crítico, após sofrer um traumatismo cranioencefálico grave.

Os médicos veterinários realizaram procedimentos de emergência para estabilizar a respiração do animal, incluindo medidas para aliviar o acúmulo de ar e sangue nos pulmões.

A equipe também coletou amostras de sangue para exames laboratoriais e avaliação completa do estado de saúde do animal.

Segundo os veterinários, exames de imagem, como raio-X e ultrassom, ainda não foram realizados porque o lobo-guará precisa permanecer em repouso absoluto até apresentar condições clínicas seguras para deslocamento.

O hospital veterinário informou que o quadro clínico do animal é considerado “muito delicado” e exige cuidados de alta complexidade.

Novas atualizações devem ser divulgadas conforme a resposta do animal ao tratamento intensivo.

Espécie símbolo do Cerrado enfrenta ameaças

O lobo-guará é considerado o maior canídeo da América do Sul e uma das espécies mais conhecidas do Cerrado brasileiro. A espécie é classificada como “quase ameaçada” de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza e enfrenta ameaças como perda de habitat, queimadas, caça e atropelamentos em rodovias.

Com a expansão urbana e agrícola, além do aumento do fluxo de veículos em estradas que cortam áreas de vegetação nativa, os registros de animais silvestres atropelados têm aumentado em Minas Gerais.

Especialistas apontam que espécies de hábitos noturnos, como o lobo-guará, ficam mais vulneráveis em trechos rodoviários próximos a áreas rurais e fragmentos de mata.

Lobo-guará é perigoso?

Apesar do porte e da aparência imponente, o lobo-guará não costuma representar perigo para humanos. A espécie tem comportamento arisco, evita contato e raramente apresenta comportamento agressivo.

A alimentação do animal é baseada principalmente em frutas, pequenos animais e insetos. Entre os alimentos consumidos está a fruta-do-lobo, típica do Cerrado.

O maior risco ocorre quando o animal está ferido, acuado ou assustado, situação em que pode reagir de forma defensiva na tentativa de escapar.

O que fazer ao encontrar um animal silvestre ferido

Casos envolvendo lobos-guará têm chamado atenção com maior frequência no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Recentemente, um animal da espécie foi encontrado dormindo na porta de uma residência em Uberlândia, situação que repercutiu nas redes sociais e mobilizou moradores.

O Corpo de Bombeiros orienta que a população não tente capturar ou tocar em animais silvestres encontrados feridos às margens de rodovias ou em áreas urbanas.

Nesses casos, a recomendação é:

  • manter distância do animal;
  • evitar aglomerações e barulho;
  • sinalizar o local, caso haja risco de novos acidentes;
  • acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou órgãos ambientais.

Rodovias que atravessam áreas de Cerrado no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba concentram registros frequentes de atropelamentos de animais silvestres, incluindo tamanduás-bandeira, capivaras, jaguatiricas e lobos-guará.

Além do impacto ambiental, esse tipo de acidente também representa risco para motoristas, principalmente à noite e em trechos com baixa iluminação.