Cachorro chinês famoso na internet é roubado e servido em restaurante

Border collie com mais de 1,5 milhão de seguidores foi roubado, vendido a um restaurante e abatido, reacendendo debate sobre proteção animal

, em Uberlandia

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Durante anos, um cachorro chinês encantou milhões de pessoas ao percorrer diferentes regiões do país ao lado de seu tutor. Conhecido por sua inteligência, lealdade e carisma, o animal conquistou mais de 1,5 milhão de seguidores nas redes sociais chinesas. Agora, a história do border collie Chutou que se transformou em celebridade digital ganhou um desfecho que provocou comoção e indignação em todo o país.

Cachorro chines famoso na internet
Chutou, acima, tinha mais de um milhão de seguidores nas redes sociais da China continental – Crédito: Douyin/Reprodução/SCMP

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Segundo informações divulgadas pelo South China Morning Post, Chutou foi roubado, vendido a um restaurante especializado em carne de cachorro e abatido para consumo. O caso mobilizou internautas, levantou questionamentos sobre a legislação chinesa relacionada aos animais de estimação e reacendeu discussões sobre o comércio de carne canina em algumas regiões do país.

O cão era companheiro inseparável de Guo, influenciador de viagens da província de Henan. Desde filhote, Chutou acompanhava o tutor em longas jornadas por desertos, montanhas cobertas de neve e estradas remotas. Os registros das aventuras compartilhados nas redes sociais transformaram o border collie em um dos cães mais conhecidos da internet chinesa.

A relação entre os dois começou em 2018, quando Guo adquiriu o filhote de apenas três meses de idade por mais de 2 mil yuans. Com o passar dos anos, a parceria ultrapassou o universo digital e se tornou símbolo de amizade e companheirismo para milhares de seguidores.

De acordo com as informações publicadas pelo South China Morning Post, o desaparecimento ocorreu em maio deste ano. Na ocasião, Guo realizava uma viagem pela Geórgia e deixou Chutou sob os cuidados dos pais na província de Henan.

Em um dos dias, o animal desapareceu da propriedade da família. Imagens de câmeras de segurança registraram dois indivíduos se aproximando em uma bicicleta elétrica e levando o cachorro. O tutor interrompeu imediatamente a viagem e retornou à China para iniciar as buscas.

Imagens de câmeras de segurança, acima, mostram os suspeitos de roubo de animais fugindo em uma bicicleta elétrica com Chutou escondido sob uma capa
Imagens de câmeras de segurança, acima, mostram os suspeitos de roubo de animais fugindo em uma bicicleta elétrica com Chutou escondido sob uma capa – Crédito: Douyin/Reprodução/SCMP

Durante vários dias, Guo analisou gravações, percorreu comunidades e buscou informações que pudessem ajudar a localizar o companheiro. A mobilização também ganhou apoio de admiradores que acompanhavam a trajetória da dupla pela internet.

As investigações levaram o influenciador até um homem apontado como responsável pelo furto. Na tentativa de recuperar o animal, Guo chegou a oferecer uma recompensa de 10 mil yuans. O suspeito alegou ter acreditado que se tratava de um cachorro abandonado.

O tutor contestou essa versão ao destacar que Chutou utilizava coleira, possuía dispositivo de rastreamento e estava descansando em uma área pertencente à família quando desapareceu.

Pouco tempo depois, Guo recebeu a notícia que temia. Segundo os relatos obtidos durante a apuração do caso, Chutou havia sido vendido a um restaurante por apenas 180 yuans, valor muito inferior ao preço pago originalmente pelo animal.

Quando o tutor finalmente conseguiu localizar os envolvidos, foi informado de que o border collie já havia sido abatido e servido para consumo. Na esperança de recuperar ao menos algum vestígio do companheiro, Guo procurou funcionários do estabelecimento, mas recebeu a informação de que os restos do animal já haviam sido descartados.

 

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Caso do cachorro chinês gerou manifestações

A reação dos suspeitos aumentou ainda mais a revolta nas redes sociais. Conforme relatado pelo South China Morning Post, não houve pedido de desculpas por parte dos envolvidos, o que intensificou a repercussão do caso entre os admiradores do cão.

Após confirmar o destino do cachorro chinês, Guo procurou as autoridades e apresentou documentos que comprovam o valor de mercado do animal. A estratégia busca enquadrar o caso dentro das regras aplicáveis a crimes patrimoniais na legislação chinesa.

Especialistas ouvidos pela imprensa local explicaram que processos criminais por furto dependem da comprovação de um valor mínimo para o bem subtraído. Caso esse requisito seja atendido, os responsáveis poderão responder judicialmente pelo crime.

O episódio também trouxe novamente ao centro das discussões a ausência de uma legislação específica para proteção de animais de companhia na China. Atualmente, cães e gatos são tratados principalmente como propriedade, o que limita as possibilidades de responsabilização em situações semelhantes.

Embora algumas cidades chinesas tenham adotado restrições ao consumo de carne de cães e gatos, não existe uma proibição nacional. Por isso, o comércio ainda permanece presente em determinadas regiões e continua sendo alvo de críticas de ativistas e defensores dos direitos dos animais.

A morte do cachorro chinês gerou milhares de manifestações de apoio ao tutor e de indignação nas redes sociais. Para muitos seguidores, o border collie não era apenas uma celebridade da internet, mas um símbolo de amizade que acompanhou aventuras por quase uma década e deixou uma marca profunda entre aqueles que acompanharam sua história.