Bióloga explica riscos de alimentar quatis após aparições em bairro de Uberlândia
Em entrevista a TV Paranaíba, a bióloga Agda Pelozo explica que alimentar quatis, ainda que com boas intenções, é prejudicial tanto para os animais quanto para a população
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Nos últimos dias, moradores do bairro Gramado, na zona norte de Uberlândia, se depararam com um grupos de quatis circulando pelas ruas e invadindo quintais em busca de comida. Os animais silvestres vêm do Parque Municipal Victório Siquierolli, que faz limite com a vizinhança. Em entrevista a TV Paranaíba a bióloga Agda Pelozo, especialista em fauna silvestre, explica que alimentar quatis, ainda que com boas intenções, é prejudicial tanto para os animais quanto para a população humana.

Apesar de renderem fotos curiosas e causarem certa comoção, a presença frequente desses bichos nas áreas urbanas acende um alerta importante sobre os riscos dessa interação com humanos. “Eles perdem o medo natural do ser humano, o que altera seu comportamento. Começam a invadir casas, pular muros, disputar comida e podem até morder ou arranhar se se sentirem ameaçados”, alerta a bióloga.
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Perigos silenciosos em alimentar quatis
Além de mudanças comportamentais e riscos de ataques por defesa ou competição, a bióloga também chama a atenção para os perigos sanitários envolvidos:
- Transmissão de doenças: Os quatis podem ser vetores de zoonoses como raiva, leptospirose e toxoplasmose, que podem afetar humanos e animais domésticos.
- Desequilíbrio alimentar: Alimentos como ração e restos humanos não são adequados para a digestão dos quatis, podendo causar doenças gastrointestinais ou deficiências nutricionais.
- Dependência alimentar: O hábito de buscar comida fácil pode levar à redução do instinto de forrageamento, criando uma relação de dependência com os humanos.
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O que fazer ao avistar um quati?
Segundo a especialista, a orientação é nunca não oferecer comida e não tentar interagir com os animais. Em caso de presença recorrente, o ideal é notificar a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a Polícia Militar Ambiental ou órgãos ambientais competentes, que podem monitorar a situação e avaliar medidas de manejo.

Em rodovias, reduza a velocidade, evite buzinas e pisque os faróis para alertar outros motoristas. Em caso de atropelamento, comunique o acidente à concessionária da rodovia, Polícia Rodoviária ou Corpo de Bombeiros.
Um reflexo do desequilíbrio ambiental
A procura por alimento fora da mata é um reflexo da pressão urbana sobre os ecossistemas. O avanço das construções, o desmatamento e a escassez de alimentos naturais em áreas verdes empurram a fauna silvestre para dentro da cidade.
“Precisamos lembrar que a cidade invadiu o espaço deles, e não o contrário. Cuidar dos parques e manter distância respeitosa da fauna é a melhor forma de convivência”, afirma Agda Pelozo.
A orientação final dos especialistas é que por mais simpáticos que pareçam, os quatis não devem ser alimentados. A interação pode parecer inofensiva, mas representa riscos ao equilíbrio ambiental e à saúde pública.