O ouro de Minas Gerais: café do Cerrado Mineiro amplia sua presença global
Atualmente, a Região do Cerrado Mineiro reúne cerca de 4.500 produtores de café distribuídos em 55 municípios
Mateus Oliveira , em Uberlândia
A Região do Cerrado Mineiro, que envolve as áreas do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, encerrou a safra 2025/2026 com um marco histórico para a cafeicultura brasileira. Ao todo, 419,9 mil sacas de café de 60 quilos foram exportadas durante o período, reforçando a posição da região como referência nacional em cafés.
Atualmente, a Região do Cerrado Mineiro reúne cerca de 4.500 produtores distribuídos em 55 municípios.

O volume manteve o patamar alcançado na safra anterior e representa uma evolução significativa em relação aos ciclos anteriores. Até a safra 2022/2023, a região certificava cerca de 150 mil sacas por ano.
Aumento na exportação
O salto para 420 mil sacas ocorreu em 2024/2025 e foi mantido na temporada 2025/2026. Segundo o diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, o crescimento reflete a confiança dos produtores, cooperativas e compradores no sistema de certificação.
“Há poucos anos, certificávamos cerca de 150 mil sacas por safra. Na safra 2025/2026, chegamos a um volume próximo de 420 mil sacas. Esse avanço demonstra o amadurecimento do sistema e o reconhecimento da origem como diferencial competitivo”, disse.
Importância do café para a economia de Minas Gerais
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Minas Gerais é o maior estado produtor de café do Brasil, responsável por cerca de 50% da produção nacional.
Praticamente 100% das plantações são de café Arábica, cultivado em quatro regiões produtoras: Sul de Minas, Cerrado de Minas, Chapada de Minas e Matas de Minas, que exportam seus cafés pelos portos de Santos, Rio de Janeiro e Vitória.

Ainda segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o estado é responsável por produzir cerca de 26 milhões de sacas anualmente.
Europa lidera importações
Os cafés da Região do Cerrado Mineiro chegaram a 27 mercados internacionais durante a safra. A Europa foi o principal destino, concentrando 68,5% das exportações, com o recebimento de 132,2 mil sacas.
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Na sequência aparecem a América do Norte, com 22% do volume exportado, seguida pela Ásia (3,8%), Oriente Médio (3,3%) e Oceania (2,4%). Entre os países compradores, Itália, Estados Unidos, Polônia, Reino Unido e Espanha lideraram as aquisições, respondendo juntos por 61,3% dos embarques certificados.
Meta é certificar 600 mil sacas
Para a safra 2026/2027, a Federação dos Cafeicultores do Cerrado estabeleceu a meta de certificar 600 mil sacas de café, um crescimento de 42,9% em relação ao ciclo recém-encerrado.
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A estratégia prevê ampliar a adesão de produtores ao sistema, fortalecer a atuação conjunta com cooperativas, exportadores e armazéns credenciados, além de expandir a presença dos cafés certificados nos mercados nacional e internacional.
Triângulo Mineiro na produção de café
Em fevereiro de 2026 a Conab fez uma projeção que indicou um avanço de 46,5% na produção do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, em relação ao ano passado.

Segundo a Conab, dois fatores principais sustentam a expectativa positiva, sendo eles a bienalidade positiva do cafeeiro (ciclo natural de maior produtividade) e as chuvas mais regulares durante o enchimento dos grãos.
Protagonismo mundial e a relevância de MG
Ainda segundo a Faemg, o Brasil exportou em 2024 cerca de 50,4 milhões de sacas, sendo 61% oriundas de lavouras mineiras (30,7 milhões de sacas). No mesmo ano, o café brasileiro chegou a 88 destinos, com destaque para os Estados Unidos, Alemanha, Bélgica, Itália e Japão.
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