Mulheres que fazem história: vozes da TV Paranaíba
De coberturas policiais à maternidade no "ao vivo", Merie Gervásio, Tatiana Alves e Mônica Cunha revelam as cicatrizes e as conquistas de quem faz o jornalismo pulsar em nossa região
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Os rostos que você vê na tela da TV Paranaíba todos os dias, carregam histórias que não estão no teleprompter (equipamento que exibe o texto numa tela). No Dia Internacional da Mulher celebrado neste domingo (8), o Paranaíba Mais destaca a trajetória de três ícones da comunicação mineira que, juntas, somam quase um século de jornalismo.
Dentre as mulheres que fazem história contando histórias na televisão, Merie Gervásio, Tatiana Alves e Mônica Cunha revelam que, por trás das câmeras, o desafio de ser mulher e jornalista profissional de TV requer persistência, sensibilidade e uma busca constante por respeito. A profissão que exige o dobro de esforço quando se nasce mulher, devolve em dobro a capacidade de transformar realidades.

Sensibilidade por trás da força de Merie Gervásio
Com 22 anos de profissão e mãe da Maria Clara e Romeu, Merie Gervásio, apresentadora, é movida por uma inquietude que vem do berço, “Desde pititinha eu lutava pelo que eu queria, já demonstrava uma postura questionadora”, conta.
O que começou como uma oportunidade virou missão, “Eu sempre fui a pessoa que batalhou pelos menos favorecidos, que questionava tudo em todos os aspectos.” Sua trajetória é marcada pela persistência. Mas muito mais que isso, Merie carrega a sensibilidade feminina, que traz emoção às telas da TV.

Essa sensibilidade, às vezes, também aparece diante das câmeras. Em uma cobertura policial, ao narrar um roubo, presenciou a morte de uma criança no colo da mãe e não conseguiu conter as lágrimas. “Eu chorei ao vivo. Não queria chorar, mas me sensibilizei demais.”
Mulheres que fazem história: Merie Gervasio
Ao longo da carreira, Merie percorreu o país contando histórias profundas e conhecendo figuras exemplares. Durante a gravação de um programa, ela conheceu uma mulher sanfoneira que sustentou a família quebrando castanhas de caju manualmente. “Ela criou 12 filhos assim. Em um momento da vida decidiu tocar sanfona, mesmo sendo um instrumento dominado por homens. Mesmo sem saber ler ou escrever, educou e alfabetizou todos os filhos.”

A jornalista lembra que a maternidade trouxe uma nova dimensão para sua profissão, “Quando me tornei mãe, também me vi mais forte. Após a licença maternidade, me lembro que chorei, mas logo em seguida levantei, fiz minha maquiagem, peguei o microfone e entendi que era ali que eu deveria estar.” Hoje ela acredita que todas as suas versões, mãe, jornalista e mulher, se completam.
Mãe no ar: a jornada de Tatiana Alves
A repórter e apresentadora Tatiana Alves Ribeiro, com 30 anos de jornalismo, também guarda uma lembrança inesquecível da sua profissão, em que ela dividia uma reportagem ao vivo, com a filha que ainda crescia em seu ventre.

“Foi o meu primeiro ao vivo, lembro que ela chutava minha barriga, enquanto meu coração batia forte e eu segurava o microfone. Foi um momento maravilhoso”, recorda.
Hoje, sua filha Gabriella tem 28 anos, e a lembrança daquele período continua como uma das imagens mais marcantes da carreira.
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Mônica Cunha: o jornalismo com elegância
Há profissionais que passam pelo jornalismo. Outros se tornam parte da história que narram. Assim é a caminhada de Mônica Cunha, jornalista há 38 anos, escritora e apresentadora.

Ao longo de quase quatro décadas diante das câmeras, sua voz se tornou familiar para gerações de telespectadores. Mas o caminho até esse reconhecimento foi feito de passos firmes, aprendizados silenciosos e da herança invisível deixada por outras mulheres.
Antes mesmo da televisão, vieram as primeiras lições sobre o mundo, dentro de casa, “Tenho sempre na memória minhas avós, minhas tias, minha mãe… O jeito delas me ensinando como estar no mundo, como impor limites, como ficar alerta e saber que, se algo acontecesse, eu teria para onde voltar,” lembra com carinho.

Ela fala do feminino não como fragilidade, mas como presença, algo que acompanha suas escolhas e sua maneira de se comunicar, “Vamos encontrar pedrinhas. O importante é conseguir passar por elas com elegância.”
Ao olhar para sua trajetória, Mônica Cunha destaca que o maior orgulho para a ‘menina’ que começou na comunicação é a conquista de apresentar um programa que carrega o seu próprio nome e resume a profissão com sinceridade, “A trajetória não é fácil, o caminho não é fácil. Mas hoje me sinto muito feliz e respeitada.”
A dicotomia do 8 de março
Mônica traz uma reflexão importante e um apelo como comunicadora, o Dia Internacional da Mulher carrega sentimentos ambíguos. “Essa data sempre me emociona. Ao mesmo tempo que é bonito celebrar, também aperta o coração”, afirma.
