Mulher baleada por PM diz que não houve acidente: “Ele me virou para atirar”

Caso que repercutiu em vídeo divide opiniões entre moradores; agressora atingida por policial contesta versão de tiro acidental e relata agressões físicas após ser contida

, em Uberlândia

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“Não foi acidental. Ele me virou para atirar”. Esse foi o depoimento de Carolina Barbosa, mulher atingida por um disparo de bala de borracha durante uma abordagem policial na sexta-feira (19), em Conceição das Alagoas.

O caso ganhou repercussão em um vídeo que mostra o momento em que a vítima, segurando uma faca e uma sanduicheira, é contida por dois policiais. O primeiro chuta os itens em sua mão e na sequência o outro militar se aproxima, derruma a mulher no chão, faz o disparo e depois a agride no chão.

Veja o registro:

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Vítima dos disparos não acredita em acidente

Carolina, que trabalha como prestadora de serviços terceirizada, está sem condições de retornar às suas atividades devido a dores e crises de tontura após a ação policial. Atualmente, ela busca novos laudos médicos com especialistas para comprovar a extensão das lesões.

Em entrevista à TV Paranaíba, ela admite que estava embriagada e armada após uma briga anterior com a autônoma Larissa Brandão, mas afirma que o disparo não foi acidental. Em seu relato, Carolina conta que antes da agressão ela teria pedido por uma policial mulher, mas um dos agentes disse que não tinha tempo para ela.

“Foi na hora que ele chutou a minha mão e me desarmou. No caso, seria ele me algemar e me levar, porque eu ja estava contida. Mas ele veio pra cima de mim, me derrubou e me deu o tiro a queima roupa. Não foi acidental”, disse.

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A mulher explicou que se o tiro tivesse sido acidental, no momento em que ele a derrubou, o disparo teria atingido a frente do seu corpo e não as costas. “Se fosse acidental o tiro teria que ter sido pra frente, mas foi nas minhas costas. ele me virou para atirar”, relata.

Carolina ainda relatou que não acredita que o momento em que chutam os itens em sua mão tenha sido uma agressão. “O que chutou a faca não acredito que foi agressão. Foi o trabalho deles mesmo, para me desarmar. O outro que me agrediu”, contou.

Alvo das ameaças detalha discussão antes da abordagem policial

De um lado, Carolina contou à reportagem da TV Paranaíba que estava embriagada e apenas não gosta de Larissa, sem ter um motivo para toda a confusão. A vítima das ameaças de Carolina, a autônoma Larissa Brandão, também contou a equipe da TV Paranaíba que não conhecia a mulher e não sabe os motivos por trás da confusão.

As duas mulheres estavam em mesas separadas assistindo à transmissão do jogo da Seleção Brasileira contra o Haiti pela Copa do Mundo de 2026 no Lagoa Park. Após o término da partida, Carolina teria se aproximado do grupo de Larissa iniciando ofensas verbais.

mulher baleada após abordagem policial em conceição das alagoas
Imagem mostra os hematomas apresentados pela mulher baleada após a abordagem policial – Crédito: Reprodução/Redes sociais

“Ela começou a me xingar e me ofender. Eu perguntei o motivo e ela veio para cima de mim. Quando ela levantou a mão, eu peguei uma garrafa e joguei na cara dela. Grudamos e rolamos no chão”, contou Larissa.

Depois que foram separadas por amigos, Carolina foi levada embora da praça, mas prometeu que retornaria para se vingar. Cerca de 30 minutos depois, Larissa recebeu ligações de conhecidos alertando para que fugisse imediatamente, pois a agressora estava descendo a rua armada com uma faca. “Não deu tempo nem de eu chegar em casa e os vídeos chegaram. Ela estava com uma faca e uma sanduicheira para me matar”, contou.

População aponta misto de “surto” e despreparo policial

Quem presenciou o ocorrido relata que a situação fugiu do controle muito antes da chegada da PM. “Eu não sei se era bebida ou surto, ela estava com uma faca e uma garrafa. Depois começaram a ligar para as pessoas e a polícia chegou”, contou uma testemunha que estava na hora da confusão e preferiu não se identificar.

Pessoas tentaram conter a mulher antes da chegada da polícia; veja:

A pessoa ainda relatou que acha que toda a ação da polícia foi de forma despreparada. “Na minha opinião, por uma parte foi certo e por outra foi errado. Já chegaram batendo, creio que teria que ser uma policial mulher. Acho que foi uma falta de preparo da polícia pelo modo como agiu”, avaliou.

Uma outra testemunha preferiu não opinar sobre a atuação da polícia, dizendo quem estaria certo ou errado, mas conta que a discussão começou rapidamente. “Vi que as duas estavam sentadas uma em cada mesa, não vi que elas tiveram algum atrito. Quando começou a situação, quando estava indo embora, chamei meu filho pra ir junto”, disse.

PM investiga o caso

Em nota oficial enviada anteriormente, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) declarou que no dia 19/06/2026, em Conceição das Alagoas, uma equipe policial foi acionada para realização de intervenção policial tendo em vista que uma mulher portando arma branca estaria ameaçando terceiros. Após tentativas sem êxito da própria população em tentar desarmá-la, os policiais militares chegaram ao local e procederam a contenção e condução da autora para delegacia de polícia“.

Também informaram em nota que “a autora foi encaminhada pelos policiais para o pronto socorro, tendo sido atendida e liberada pela equipe médica. Os fatos serão analisados e havendo necessidade serão apurados na forma da lei“.

Carolina relatou que já passou por três exames de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) e realizará um quarto. A advogada da mulher pretende solicitar formalmente as imagens das câmeras internas da viatura e da companhia policial. Segundo Carolina, as agressões continuaram mesmo depois de detida, afirmando que recebeu diversos tapas no rosto e puxão no cabelo.

A reportagem solicitou uma posição da PM sobre as agressões sofridas após a prisão, conforme a denúncia, e aguarda um retorno.