Alfredo, o jacaré querido de Lagoa Santa, é salvo após ataque por arpões
Após dois dias de buscas, animal ferido recebeu atendimento veterinário e foi devolvido à lagoa; não há registros sobre os responsáveis pelo crime ambiental
Um jacaré-de-papo-amarelo, ferido por dois arpões, foi resgatado na lagoa central de Lagoa Santa, na região Metropolitana de Belo Horizonte, após uma força-tarefa que mobilizou equipes do Grupo de Resgate Animal, Polícia Militar de Meio Ambiente e Corpo de Bombeiros. O caso gerou comoção na cidade, onde o animal é conhecido e apelidado carinhosamente de Alfredo pela população.
A operação de resgate durou dois dias. O animal havia sido visto pela primeira vez com ferimentos na terça-feira (5), mas desapareceu logo em seguida, dificultando os trabalhos. A equipe de resgate seguiu monitorando a lagoa e isolou uma área para evitar aglomerações e estresse ao animal. Somente na manhã de quinta-feira (7), Alfredo foi atraído para a margem e imobilizado com apoio de especialistas.
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Arpões são removidos do jacaré Alfredo
Durante o atendimento veterinário, os dois arpões, um de 15 cm e outro de 20 cm, foram retirados com sucesso. Felizmente, os ferimentos não atingiram órgãos vitais e o jacaré pôde ser medicado, suturado e devolvido ao habitat natural, sob orientação dos veterinários presentes. A operação contou com o apoio de mais de 10 profissionais da área e 13 estudantes do curso de Medicina Veterinária, que atuaram como voluntários.
“São poucas as pessoas que tratam animais silvestres com dignidade. Precisamos valorizar o bem-estar animal e combater a violência contra a fauna”, destacou, Ricardo Salomão, um dos veterinários responsáveis pelo procedimento.
Celebridade local e símbolo da lagoa
Conhecido por frequentar as margens da lagoa e aparecer em vídeos nas redes sociais, o jacaré Alfredo já circula pela lagoa há mais de cinco anos. Apesar da convivência próxima com moradores e turistas, não há registrados de ataques A prefeitura de Lagoa Santa e os órgãos de proteção ambiental pedem que a população mantenha distância e nunca tente tocar, alimentar ou provocar os animais.
Investigação em andamento
Até o momento, não há informações sobre os responsáveis pelos disparos dos arpões, que configuram crime ambiental. A Polícia Militar de Meio Ambiente investiga o caso, que pode resultar em penalidades legais conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).