Sobreviventes contam que primeiro ônibus quebrou duas vezes
Sobreviventes relatam pane mecânica, troca de ônibus e viagem sob chuva intensa antes do ônibus capotar na BR-365; seis passageiros morreram
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O capotamento na BR-365, entre Patos de Minas e Varjão de Minas, no Alto Paranaíba, segue cercado de dor e questionamentos. Além do balanço de mortos e feridos, sobreviventes e familiares relatam que o retorno de Salvador (BA) para Uberlândia (MG) foi marcado por panes mecânicas, atraso, troca de ônibus e sinais de preocupação ainda na estrada, horas antes do veículo tombar e bater em árvores às margens da rodovia.
Entre os passageiros estava Rafael Guaritá, que descreveu a sequência de problemas enfrentada pelo grupo após o Réveillon em Salvador. Segundo ele, o retorno iniciou no sábado (3) com previsão de chegada no domingo (4), mas a viagem foi interrompida após o ônibus apresentar falhas mecânicas. “O diferencial (peça do ônibus) quebrou, conseguiram soldar e veio bem. Depois deu problema na caixa de engrenagem, mais ou menos a 250 quilômetros de Salvador. A gente tentou achar mecânico, motor, ajuda… foi muito difícil”, contou.
Ainda conforme o passageiro, o grupo passou o domingo e a manhã de segunda-feira em uma pousada custeada pelos organizadores da excursão, enquanto tentavam viabilizar a continuidade da viagem.
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Ônibus quebrou duas vezes antes de ser substituído
Rafael Guaritá conta que um segundo veículo foi providenciado para finalizar o trajeto. “Eles conseguiram arrumar esse outro ônibus que estava vindo de alguma cidade da Bahia. A viagem estava rápida, mas tranquila. Quando chegamos em Minas, pegamos muita chuva e a gente já ficou preocupado, porque com chuva não pode correr”, disse. O passageiro relata que estava acordado no momento do acidente, mas de fone de ouvido, quando sentiu o impacto. “Eu só senti um solavanco e o ônibus capotando. Graças a Deus eu tô bem, com pequenas escoriações”, relatou.
No entanto, o desfecho foi trágico. O melhor amigo, segundo o próprio Guaritá, morreu na hora. “O corpo dele já estava embaixo do ônibus, com os bancos por cima. Quando eu vi que não podia fazer nada por ele, eu tentei ajudar quem estava preso. Eu consegui tirar pelo menos quatro ou cinco senhoras lá de dentro”. Ele também contou que tentou socorrer uma colega que ficou presa entre bancos e sofreu ferimentos graves. “A Isabela… acho que quebrou a bacia. Outra colega deslocou o ombro e eu ajudei ela a sair”, completou.
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Áudios antes do acidente mostram cansaço, lotação e preocupação
Uma das vítimas fatais, Lidiane da Rocha, de 44 anos, enviou áudios para familiares durante a viagem, ainda antes do capotamento de ônibus na BR-365. Nas mensagens, ela relatou desgaste, frio e longa espera na estrada, além de mencionar que parte do grupo seguia em pé no ônibus substituto. “Eles arrumaram outro ônibus pra buscar a gente, porque o que estava lá não ia ficar pronto. Tem gente indo em pé… o ônibus é pequeno, não tinha lugar pra todo mundo”, disse.
Em outro trecho, Lidiane demonstrou preocupação com a forma como a viagem seguia, citando pressa e uma parada rápida para alimentação. “O motorista… ele falou: dez minutos, pronto, acabou. Quem comeu, comeu. Quem não comeu, não vai comer mais”, relatou. Ela também mencionou que havia visto um acidente grave no caminho e que o cenário na estrada a deixou abalada.
Responsáveis pela viagem optam por não se pronunciarem
A reportagem também procurou os responsáveis pela empresa envolvida na viagem, China Excursão e Turismo. Segundo apuração do repórter da TV Paranaíba, no local da empresa, os proprietários informaram que, neste momento, não irão se manifestar publicamente sobre o caso. Eles também optaram por não fornecer contato de advogado. Uma das responsáveis estava no local auxiliando na retirada de bagagens do ônibus acidentado e repassou um contato direto à equipe de reportagem, afirmando que a empresa pretende se pronunciar em momento oportuno. Até lá, segundo ela, a decisão é de não conceder entrevistas e nem nota.
Identificação das vítimas e horários de velórios em Uberlândia
A tragédia deixou seis mortos e dezenas de feridos.

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Boletim médico aponta altas e pacientes estáveis
Em atualização divulgada na manhã desta quarta-feira (7), a Fhemig e a Faepu informaram que oito das 12 vítimas atendidas no Hospital Regional Antônio Dias permanecem internadas, em estado estável, e parte já recebeu alta ao longo do dia 6 e nesta quarta-feira. O boletim deve ser atualizado novamente ao fim do dia, conforme a disponibilidade das equipes médicas.
Polícia Civil investiga e cita irregularidade administrativa
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que apura as causas e circunstâncias do capotamento de ônibus na BR-365. A perícia oficial esteve no local para identificação e coleta de vestígios. De acordo com informações preliminares, o ônibus transportava 52 pessoas — dois motoristas e 50 passageiros — e havia saído de Salvador com destino a Uberlândia. Seis vítimas morreram e foram encaminhadas ao Posto Médico-Legal de Patos de Minas.
Levantamentos iniciais também indicam que o condutor não possuía o Curso Especializado para Transporte Coletivo de Passageiros (CETCP), exigido para motoristas de ônibus, o que, em tese, configura irregularidade administrativa. Testes de etilômetro descartaram ingestão de álcool e, no momento do acidente, chovia intensamente em toda a região. O inquérito policial ficará sob responsabilidade da Delegacia Adjunta de Trânsito e Acidentes de Veículos.