Será que funciona? Novo carro da Tesla promete voar, mas analistas veem limites

O novo carro da Tesla, o Roadster, chega com versão voadora, segundo a empresa, mas analistas questionam custo, regras aéreas e utilidade real do projeto.

, em Uberlândia

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O novo carro da Tesla, o Roadster, foi apresentado na noite desta quinta (15) com uma promessa que mistura automobilismo e aeronáutica: uma versão capaz de voar. A proposta, descrita pela própria montadora, rendeu entusiasmo no mercado, mas também uma série de ressalvas de especialistas que veem mais espetáculo do que negócio.

ovo carro da Tesla, o Roadster, apresentado em demonstração com propulsores de gás frio e desperta críticas
O Roadster levanta do chão em demonstração, mas analistas apontam custo, regras de aviação e pouca utilidade prática – Crédito: Reprodução/Tesla

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Segundo a empresa, o modelo reaproveita componentes da SpaceX. Um sistema de ventiladores e vedação do solo suga o ar de baixo do veículo e gera pressão para baixo. A Tesla afirma que essa força seria suficiente para manter o carro de cabeça para baixo, até parado. Já os propulsores de gás frio, acionados por atuadores elétricos, fariam microajustes em frações de segundo para estabilizar o veículo no ar.

Três versões do carro da Tesla, só uma delas voa

A fabricante divide o Roadster em três configurações. A primeira, chamada Desempenho, está aberta a reservas, leva dois ocupantes e foi pensada para estrada e pista. A segunda, Impulso, será uma edição limitada para duas pessoas e, de acordo com a companhia, vai de 0 a 100 km/h em menos de um segundo graças aos propulsores traseiros. A terceira, Foguete, é a que levanta voo. Ela comporta apenas uma pessoa e só será oferecida a convidados.

Sobre o projeto, a Tesla diz ter usado magnésio, titânio e fibra de carbono para reduzir a massa e deixar o carro mais responsivo. Também afirma que a pintura branca se inspira em técnicas usadas para proteger foguetes e que os vidros escuros imitam o brilho dourado dos visores de trajes espaciais.

Os preços finais seguem sem anúncio, apesar de já existir um sistema de venda de reservas. Elon Musk declarou que a produção deve começar em 2028.

O que dizem os especialistas sobre o novo carro da Tesla

Fora do palco, o tom é bem mais cauteloso. Segundo a Euronews, os papéis das ações da Tesla subiram na sexta, mas os analistas enxergam pouco valor comercial no modelo. Mamta Valechha, da Quilter Cheviot, definiu a iniciativa como um momento de engenharia criado para gerar manchetes e lembrou que o próprio Musk já tinha reduzido a expectativa de lucro com o Roadster. Para ela, o ganho está em reforçar a imagem inovadora da marca.

Rico Luman, do ING, usou a palavra manobra de publicidade, mas reconheceu que o efeito sobre a marca é real, já que carro também é emoção. Ele alerta, porém, que voar em escala não é realista no curto prazo. Segundo o economista, valem as mesmas regras do espaço aéreo e seria preciso certificação de aeronave. A agência europeia de aviação, a EASA, não comentou o caso da Tesla, mas disse que qualquer veículo que opere como aeronave precisa cumprir requisitos de segurança, o que pode incluir qualificação de piloto.

O investidor Jason Calacanis comparou os vídeos a ficção científica e perguntou se o carro aguentaria cinco, dez ou 30 minutos no ar, embora a demonstração tenha mostrado apenas alguns segundos. Gene Munster, da Deepwater Asset Management, avaliou que o evento foi um exercício de engenharia sem valor comercial além de constranger montadoras tradicionais. John Carmack, que já comandou a área de tecnologia de realidade virtual da Meta, escreveu que a demonstração tinha chance considerável de uma falha constrangedora e disse preferir o modelo básico.

Voo do carro da Tesla ainda soa como salto

Na demonstração controlada, o Roadster saiu do chão por pouco tempo. Não apareceu viajando entre locais nem decolando e pousando como uma aeronave. Roger Connor, curador do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian, disse à CNN que unir carro e aeronave cria dilemas difíceis: o primeiro precisa de para choques e zonas de deformação, enquanto a segunda precisa ser leve. Ele classificou o movimento exibido como saltos, não como voo sustentado.

Frank Markus, da MotorTrend, lembra que propulsores de gás frio são tecnologia conhecida, mas diz que a ideia de o carro captar, comprimir e guardar o próprio ar soa boa demais para ser verdade. Ele também não vê utilidade prática num veículo que levita, gira e voa por curtas distâncias.

O histórico pesa na avaliação. O Roadster foi apresentado em 2017, a produção foi prometida para 2020 e houve adiamentos sucessivos. Para Valechha, os riscos de credibilidade e de execução continuam elevados. Além disso, as funções de voo não são homologadas para uso em vias públicas, o que se soma aos altos custos de produção.

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