13 minutos, 4 vidas: os riscos do pouso da Artemis II
Fase final da missão concentra os maiores riscos, com necessidade de ajuste exato de trajetória; velocidade pode chegar a 40 mil km/h e as temperaturas até 2.800 ºC
Os riscos do pouso da Artemis II, missão tripulada à lua, foram detalhados pelo diretor de voo da missão, Jeff Radigan, em coletiva nesta quinta-feira (9). Ele destacou a necessidade de precisão nos 13 minutos previstos na reentrada da cápsula na atmosfera terrestre, antecedendo o pouso que acontece nesta sexta-feira (10), na costa de San Diego, na Califórnia (EUA).

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Os riscos do pouso da Artemis II
No comunicado à imprensa, o diretor foi direto. “Vamos direto ao ponto. Precisamos acertar o ângulo corretamente, caso contrário, não teremos uma reentrada bem-sucedida (…) São 13 minutos em que tudo precisa dar certo”. Para que o pouso ocorra com segurança, o plano de reentrada à atmosfera terrestre exige um trajeto extremamente preciso.
“Temos que acertar o ângulo de viagem corretamente, e o que estamos fazendo no próximo dia e meio é garantir que todas as correções, que são muito pequenas e são calculadas para serem muito pequenas, nos dão exatamente esse ângulo. Temos menos de um grau de ângulo que precisamos acertar, e quando chegamos, precisamos estar no centro disso. (..) Para não bater no chão, temos que acertar o ângulo corretamente”, explicou Radigan.
Em entrevista ao Jornal da CBN, Marcelo Lapola, doutor em Astrofísica e Cosmologia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), apontou que os maiores riscos do pouso da Artemis II envolvem a alta velocidade da cápsula em que estarão os astronautas, e pela temperatura.
A velocidade pode chegar a 40 mil quilômetros por hora e as temperaturas até 2.800 ºC. O cientista brasileiro explica que é necessário um escudo térmico muito bem construído na cápsula, capaz de impedir que este calor avance para dentro do veículo. O escudo precisa se desgastar de forma controlada e simétrica, garantindo que o calor não atinja o interior da nave.
Na missão Artemis I, em 2022, um vôo não tripulado realizado para testes, a Nasa encontrou danos inesperados no escudo térmico da nave, quando parte do material do equipamento rachou durante a reentrada na atmosfera. O escudo térmico da Artemis II é o mesmo que deu problema em 2022.
Ao invés de refazer o equipamento, a Nasa elaborou um trajeto modificado para a reentrada da cápsula, para diminuir o risco aos tripulantes. No retorno à Terra, a cápsula Orion deve adotar uma manobra específica ao entrar na atmosfera: em vez de seguir uma descida direta, ela realiza um breve “salto”, semelhante ao movimento de uma pedra ao tocar e ricochetear na água.
Essa estratégia ajuda a diminuir tanto o impacto térmico quanto as forças G sobre a estrutura e a tripulação. De acordo com Amit Kshatriya, da NASA, para reduzir os riscos do pouso da Artemis II, nesta missão o procedimento será mais curto do que o habitual. A cápsula deverá retomar a descida rapidamente, adotando uma trajetória mais inclinada, o que reduz o tempo de exposição às temperaturas mais intensas durante a reentrada.
Pouso da Artemis II
Os astronautas da missão Artemis II devem chegar à Terra nesta sexta-feira (10), após realizarem um sobrevoo lunar e alcançarem a maior distância já percorrida por humanos no espaço.
A expectativa é de que a Orion caia no oceano às 21h07 (horário de Brasília), no 10º e último dia de missão da Artemis II. Após o pouso, os tripulantes serão resgatados por helicópteros da Marinha dos Estados Unidos, com equipes especializadas nesse tipo de operação.