“Verdadeiro show de horrores”, diz passageira de voo com destino a Uberaba
Aeronave retornou após decolagem por falha apontada pelo piloto, enquanto passageiros relatam calor intenso e cheiro de queimado
Logo após sair de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, um voo com destino a Uberaba precisou voltar ao aeroporto de origem após problemas operacionais, na manhã desta quarta-feira (1). Segundo o piloto, a manobra aconteceu por falha no ar condicionado. Passageiros questionam a versão e o tratamento da Azul, responsável pelo voo. A empresa indica que o retorno aconteceu por “motivos operacionais” e que todos foram atendidos para seguir viagem.
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O voo AD 6122, com destino a Uberaba, saiu de Confins por volta das 9 horas, e chegaria às 10h30. Segundo passageiros, o avião apresentou problemas logo na decolagem. Em cerca de 10 minutos, o piloto anunciou o retorno ao aeroporto, momento que foi gravado por um dos passageiros.
“Da cabine de comando, para informá-los que nós tivemos um problema no ar-condicionado da aeronave. Como vocês podem ver, o ar da aeronave está saindo muito quente, o que não é normal para esse tipo de situação. Foi após a decolagem, como vocês podem ver, […] a situação estava totalmente normalizada. Porém, fica inviável, tanto para o conforto de vocês quanto para o nosso, prosseguir a nossa viagem. Então, por isso, já pedimos retorno aqui para o aeroporto de Confins”, informou de sua cabine.
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Problemas no voo com destino a Uberaba
Segundo Vanessa Braga, jornalista que estava no voo com destino a Uberaba, toda a situação se desenvolveu muito rápido. “Assim que decolou, a aeronave começou a aquecer muito rápido, ficou muito quente. Todo mundo começou a ficar preocupado, porque não era só que não estava gelando; a aeronave estava esquentando muito e, ao mesmo tempo, já veio um cheiro de queimado. Na frente da aeronave, mais próxima da cabine do piloto, havia uma névoa também”.
A jornalista conta que o pânico foi geral, pessoas começaram a chorar e a situação foi controlada pela aeromoça, que estava sendo cobrada. Logo após o avião estabilizar, após a decolagem, o piloto fez o anúncio.
Luiza Queirós, grávida e com uma criança de colo, conta que durante os problemas, a fumaça e o calor a fizeram chorar. “Chorei pensando nos meus filhos e na situação. Foi desesperador. Meu filho suando e eu com medo daquilo e ninguém falando o que era aquilo. Até o comandante informar o que estava acontecendo”, disse.
Outra passageira, Angela Cunha, é engenheira mecânica e possui especialidade com refrigeração. Em depoimento dado a outra passageira – Vanessa, ela suspeita que o problema registrado no avião pode não ter relação apenas com o ar condicionado, como informado pelo piloto.
“Eu, como engenheira mecânica, entendendo um pouco da aeronave, é um sistema de refrigeração que não trabalha com óleo. Sugere-se que seja um óleo de motor que vazou dentro da aeronave. E o cheiro forte de óleo que veio com a elevação da temperatura era nítido dentro da aeronave, gerando preocupação em muitos de nós, passageiros que estávamos ali dentro”, relatou.
O Paranaíba Mais questionou a Azul, companhia aérea que prestava o serviço, a respeito da possibilidade de problemas técnicos para além do ar condicionado, como sinalizado pelo piloto. Segundo a empresa, “por motivos operacionais, o voo AD 6122 precisou retornar para o aeroporto de origem. O pouso aconteceu em total segurança e os passageiros desembarcaram normalmente”. (Confira abaixo a íntegra da resposta da Azul)
Transtorno aos passageiros
Ainda de acordo com a engenheira, a companhia aérea não deu o devido retorno aos passageiros. Vanessa explica que, primeiro, a empresa remarcou o voo com destino a Uberaba para às 11 horas e, após atraso, anunciaram que não seria possível realizar a viagem e disponibilizaram um voucher para almoço.
Em seguida, a empresa começou a remarcar a viagem. A jornalista conta que algumas pessoas conseguiram alternativas rápidas, com destino a Uberlândia, mas que também apresentou problemas. O voo deveria ter saído às 12h45, e acabou decolando por volta das 15h40.
Vanessa também conta que pessoas precisaram viajar para cidades próximas a Uberaba, terminando a viagem via terrestre. Outras pessoas tiveram que fazer escala em Campinas. Questionada, a empresa informou que “os clientes impactados receberam a devida assistência, conforme determina a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e foram acomodados via terrestre.”
Luiza Queirós conta que o voucher disponibilizado pela Azul, para alguns passageiros, não funcionou nos restaurantes do aeroporto, e que ela mesma teve que pagar sua comida e de seu filho pequeno. Ela foi uma das passageiras realocada para o voo com destino a Uberlândia, que também atrasou por motivos técnicos.

“Um terror, estou grávida de gêmeos, com filho de 2 anos no colo, cansada e sem dormir. Eles não me deram nenhuma prioridade para escolher o voo. O voucher não funcionou, como tinham informado. Um verdadeiro show de horrores”.