Trump eleva o tom e ameaça atacar países que trafiquem drogas para os EUA

Em reunião com secretários, presidente cita Colômbia, reforça operações militares no Caribe e provoca reação imediata de Gustavo Petro; Brasil também entrou na pauta

, em Uberlândia

Em meio à ampliação das ações militares dos Estados Unidos no Caribe e diante do avanço do narcotráfico na região, o presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira (2) que países envolvidos na produção ou que trafiquem drogas para os EUA podem ser alvos de ataque.

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Trump eleva o tom e ameaça atacar países que trafiquem drogas para os EUA – Crédito: Facebook/Donald Trump/Reprodução

A declaração, feita durante uma reunião com secretários de governo, citou diretamente a Colômbia e gerou resposta imediata do presidente colombiano, Gustavo Petro, além de repercutir em uma conversa entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tratou da cooperação bilateral contra o crime organizado.

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Drogas para os EUA

Durante a reunião, Trump acusou a Colômbia de manter fábricas de produção de cocaína e afirmou que as drogas produzidas no país são enviadas para os Estados Unidos. “Qualquer um que esteja fazendo isso e vendendo para dentro do nosso país está sujeito a ataque, não só a Venezuela”, disse. Ele ainda classificou o governo venezuelano como “muito ruim”, mas afirmou que “muita gente faz isso” e acusou países da região de enviarem “assassinos para o nosso país”.

O Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, divulgado pela agência da ONU para drogas e crimes, aponta que grande parte da cocaína que chega aos EUA tem origem na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Já o México é a principal fonte do fentanil que abastece o mercado americano, droga responsável por quase 70% das overdoses registradas em 2023.

As declarações de Trump ocorrem em um momento de fortalecimento da presença militar americana no Caribe. Desde setembro, os EUA mantêm navios e aeronaves na região sob o argumento de combater o tráfico internacional. Embora a Venezuela concentre grande parte das ameaças mencionadas por Washington, a Colômbia também passou a ser alvo frequente do discurso da Casa Branca.

A tensão entre Washington e Bogotá já vinha escalando. Em 19 de outubro, Trump chamou Gustavo Petro de “traficante de drogas ilegal” nas redes sociais e acusou a Colômbia de promover “produção massiva” de entorpecentes. Segundo ele, o governo colombiano “não faz nada para deter” o avanço do narcotráfico e transformou a atividade no “maior negócio” do país.

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Petro rebateu as falas mais recentes em uma postagem nas redes sociais. Ele afirmou que seu governo tem destruído laboratórios de cocaína diariamente e convidou Trump a visitar o país. “Venha à Colômbia, Sr. Trump, eu o convido, para que possa participar da destruição dos 9 laboratórios que destruímos diariamente para impedir que a cocaína chegue aos EUA”, escreveu. O presidente colombiano destacou ainda que, se algum país ajudou a conter o envio de drogas aos Estados Unidos, “esse país é a Colômbia”.

Em setembro, o Departamento de Estado americano publicou uma lista com os países que mais produzem ou por onde mais transitam drogas ilícitas. O documento inclui Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, Birmânia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela, entre outros. A relação, porém, não afirma que esses países enviam drogas diretamente aos EUA.

O combate ao crime organizado internacional também esteve no centro de uma ligação telefônica entre Trump e o presidente Lula nesta terça-feira. Segundo o governo brasileiro, Lula defendeu a necessidade de reforçar “de forma urgente” a cooperação com os Estados Unidos. A Casa Branca, por sua vez, informou que Trump demonstrou “total disposição” para trabalhar ao lado do Brasil e apoiar iniciativas conjuntas contra organizações criminosas.