Terceirizados da Cemig são presos em Uberlândia por furto de fios
Grupo é suspeito de furtar cabos e retornar ao local para novos crimes durante supostos reparos
Funcionários terceirizados da Cemig foram presos, nesta quarta-feira (25), em uma operação que mirava o furto de fios de cobre. Segundo a Polícia Civil de Uberlândia, além das prisões, foram apreendidos 300 quilos do material que estavam sendo vendidos pelo grupo em um ferro velho. De acordo com as investigações, os mesmos funcionários suspeitos de furtar o material eram acionados pela companhia para efetuar os reparos na rede elétrica, e ainda se aproveitavam para furtar outros materiais, sem que a empresa tivesse conhecimento da situação. A prisão dos envolvidos ocorreu após um furto na zona rural de Araguari. Até o momento, cinco envolvidos foram presos.

A prisão de três funcionários e de um ex-funcionário, com idades de 29, 27, 20 e 19 anos, foi confirmada por suspeita de envolvimento nos crimes de furto qualificado e associação criminosa. Também foi detido o proprietário de um ferro-velho, de 46 anos, investigado por receptação qualificada e associação criminosa. Após serem autuados, os envolvidos foram encaminhados ao Presídio Jacy de Assis, onde permanecem à disposição da Justiça.
“Esses próprios indivíduos eram quem iam lá à noite e furtavam o cabeamento. No dia seguinte, eles mesmos eram acionados para resolver o problema e, quando acionados, iam até o local e, utilizando o veículo da empresa terceira da Cemig, subtraiam mais vãos do cabeamento elétrico, trazendo o cabeamento no próprio veículo da empresa, e [depois] informavam à empresa”, explicou o delegado Eduardo Leal.
Segundo o delegado, as ações dos terceirizados da Cemig causavam ainda mais danos do que o furto de fio recorrente, uma vez que as subtrações aconteciam duas vezes no mesmo local, durante o que deveria ser o reparo da fiação elétrica furtada. Os crimes aconteciam principalmente na zona rural, afetando diretamente os produtores. “Eles subtraíam duas vezes em relação ao mesmo fato e, nisso, prejudicando muitos produtores rurais que ficavam sem energia no primeiro momento. Depois, quem deveria reparar ainda furtava mais cabos e tinha que gerar uma outra ordem de serviço para que fosse realizado o reparo. É um abuso de confiança muito grande por parte desses funcionários”, explicou.
A Polícia Civil acredita que exista uma rede criminosa dentro da empresa terceirizada em questão, que presta serviços para Cemig de Uberlândia. O delegado reforça que a Cemig prestou todo o auxílio nas investigações e na apuração dos delitos. Inclusive, as investigações começaram a partir do acionamento da própria empresa, no ano passado, ao desconfiar da recorrência dos furtos.
“Foram obtidos vários elementos de prova em relação a esses funcionários. Trata-se de uma rede criminosa que já atua desde o ano passado e a nossa investigação vai ter sequência. Novos fatos estão sendo apurados, com identificação de novas autorias”, afirmou.
LEIA MAIS: Operação Tolerância Zero, da PM, mira perturbação do sossego e furto de fios
Terceirizados da Cemig caem após furto de fios em Araguari
De acordo com o delegado, o grupo já estava sendo monitorado. Nesta terça-feira (24), ocorreu um furto na zona rural de Araguari, levando a população a ficar sem energia. O mesmo grupo de funcionários seria responsável e estaria tentando vender o material, cerca de 300 quilos de cobre, em um ferro velho em Uberlândia, que já estava sendo monitorado pela polícia.

“Foram localizados lá todo o cabeamento que havia sido subtraído na noite anterior (…) E dois funcionários dessa empresa terceirizada foram levar esse cabeamento lá no ferro-velho, um deles ainda estava uniformizado”, contou Eduardo Leal.
O delegado relatou ainda que, na sequência, após a prisão e a localização dos materiais, foram realizadas diligências e localizados os demais funcionários que prestaram o serviço durante o dia do crime. Para a Polícia Civil, a investigação deve identificar outros funcionários envolvidos.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A Polícia Civil afirma que ainda não é possível estimar o prejuízo causado pela atuação do grupo. Os danos vão desde a infraestrutura subtraída até os danos que causaram em produtores rurais das regiões onde atuaram.
Os envolvidos deverão responder criminalmente pelos atos. Neste momento, em situação de flagrante, a acusação é de furto qualificado, já que há circunstâncias que agravam a pena (que pode variar de dois a oito anos) de furto de cabeamento de energia elétrica.
Também são considerados agravantes o abuso de confiança em relação à empresa e a atuação em conjunto com outras pessoas. Já o proprietário do ferro-velho responderá por receptação qualificada, por ter adquirido e mantido em seu comércio materiais provenientes de atividade criminosa.