Sepultamento de Ismael Silas acontece hoje e testemunhas apontam descaso nas buscas

Em entrevista ao Paranaíba Mais, amigos, familiares e voluntários criticaram o Corpo de Bombeiros Militar, afirmando que houve descaso: "não entraram por ser um córrego de esgoto"

, em Uberlândia

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A família do jovem Ismael Silas, 21 anos, encontrado nesta quarta(27) aguarda a liberação do corpo pelo Instituto Médico Legal (IML) para a realização o sepultamento, ainda sem horário. O corpo do Ismael Silas estava desaparecido desde domingo (24) e foi encontrado por voluntários civis em um córrego de uma tubulação de esgoto próximo à Chácara Caiçaras, em Uberaba.

Família e testemunhas criticam buscas antes do enterro de Ismael Silas
Família e testemunhas criticam buscas antes do enterro de Ismael Silas – Crédito: Arquivo Pessoal/Divulgação

O corpo de Ismael Silas foi localizado em um ponto onde a água batia aproximadamente na altura da canela, indicando que não possuía profundidade. Amigos, familiares e voluntários se mobilizaram, acessando áreas que não haviam sido percorridas pelo Corpo de Bombeiros Militar, que segundo eles, havia encerrado as buscas no segundo dia, alegando não haver indícios de que o jovem estivesse na área.

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A demora em encontrar Ismael Silas gerou revolta entre familiares e amigos. Segundo um amigo da família de Ismael, Paulo Vitor Marques, mais de 20 ligações foram feitas aos militares durante os três dias de desaparecimento, sem respostas satisfatórias.

De acordo com a bombeira brigadista Aparecida, uma das voluntárias que encontrou o corpo, a equipe foi autorizada a continuar as buscas após os militares encerrarem a ocorrência. “Questionamos os bombeiros se aquela área havia sido vasculhada. Eles mostraram no mapa que apenas passaram por cima, sem adentrar o rio por se tratar de um córrego de esgoto. Admitiram que não entraram no local por esse motivo”, relatou Aparecida.

Família e amigos denunciam descaso em buscas

Em entrevista ao Paranaíba Mais, Paulo Vitor Marques, criticou a atuação dos militares e citou que houve descaso. Segundo ele, no primeiro dia, a equipe oficial realizou apenas uma varredura rápida à noite e depois encerraram as buscas. No segundo dia, mesmo com cães farejadores, os bombeiros não localizaram o jovem.

“Ele (Ismael) foi cedo para a casa do tio buscar uma égua, e uma delas fugiu. A família percebeu que ele havia sumido e ligou para o Corpo de Bombeiros. Eles fizeram uma varredura à noite, três horas que ficaram lá e foram embora. No segundo dia, os cães farejadores não localizaram nada, foram embora e falaram que não voltariam mais”, relatou Paulo Vitor.

Em resposta aos questionamentos sobre a conduta no caso, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) informou que todas as ações de busca e salvamento seguiram os protocolos técnicos e utilizaram equipamentos adequados. As equipes usaram cães farejadores, analisaram imagens de câmeras e empregaram um drone com câmera térmica no terceiro dia de buscas.

Em comunicado, a corporação lamentou o desfecho do caso e expressou as condolências à família e aos amigos da vítima. O CBMMG também ressaltou que a operação ocorreu em um período de estiagem, quando a demanda por atendimentos aumenta significativamente.

Busca voluntária resultou na localização

Paulo Vitor conta que ele e outros voluntários, incluindo os bombeiros civis de Uberaba e de Sacramento prosseguiram com as buscas. Por volta das 15h de quarta-feira (27), estiveram em áreas não exploradas anteriormente pelos bombeiros oficiais.

“Confiamos que eles tinham buscado no córrego, mas não tinham. Precisamos entrar na mata para encontrar o Ismael. Isso não deveria ter acontecido”, lamentou. Após cerca de 20 minutos de busca, com apoio de trilheiros e motoqueiros, o corpo de Ismael Silas foi localizado no interiror da mata, em um ponto do córrego que, segundo os voluntários, não havia sido percorrido pelos bombeiros oficiais.

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Sepultamento previsto

O enterro será realizado no Cemitério Nossa Srª. Medalha Milagrosa às 13:30 da tarde, em Uberaba. A família informou que não haverá velório devido ao estado de conservação do corpo, que apresenta inchaço. Amigos e parentes devem acompanhar a cerimônia de despedida, marcada pela tristeza e pelo questionamento sobre a condução das buscas pelas autoridades oficiais.