Renê Júnior e esposa delegada trocaram mensagens no dia do crime, mas apagaram
Polícia Civil informou na coletiva de imprensa sobre o indiciamento de Renê Júnior e esposa que o apagamento das mensagens deixou lacunas na investigação
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O inquérito policial que apura a morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, em Belo Horizonte, foi concluído nesta sexta-feira (29). Apesar do indiciamento do empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, 47, por homicídio duplamente qualificado, a Polícia Civil informou que mensagens apagadas do celular dele deixaram uma lacuna na investigação. A informação foi divulgada pelo delegado Matheus Moraes durante uma coletiva de imprensa.
O apagamento das mensagens de Renê Júnior com a sua esposa, a delegada Ana Paula Balbino Nogueira, deixa dúvidas se a mulher sabia que o marido estava armado na data do crime, que aconteceu no dia 11 de agosto, ou se ela sabia que ele havia matado o gari. A delegada também foi indiciada por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, na modalidade “ceder ou emprestar”.
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Troca de mensagens entre Renê Júnior e esposa
Segundo o delegado Matheus Moraes, o casal trocou diversas mensagens no dia do crime. No entanto, as mensagens foram excluídas e eles passaram a conversar por ligação. Apesar da quebra de sigilo telefônico, o delegado explica que é impossível acessar o conteúdo da ligação.
“A gente apurou que eles se comunicavam frequentemente e, no dia do fato, não foi diferente. Porém, em razão da impossibilidade de acessar o conteúdo de ligações telefônicas, via aplicativo de mensagens e áudio, a gente não conseguiu confirmar se ela teve ciência logo após o fato ou se essa ciência se deu somente no momento em que ele a chamou após a chegada da Polícia Militar”, disse Moraes.
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A conclusão do inquérito
Renê Júnior responderá na Justiça por homicídio duplamente qualificado, pelo motivo fútil e pelos meios que impediram a defesa da vítima. Além disso, também responderá pela prática de ameaça contra a motorista do caminhão de lixo e por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
A pena do empresário, que confessou ter atirado contra o gari, pode chegar até 35 anos. Já a delegada esposa dele, poderá receber uma pena de 2 a 4 anos. Por ser servidora pública, Ana Paula Balbina ainda recebe um aumento da pena, que ainda será analisada e decidida pelo Poder Judiciário. Ela se tornou investigada pelo inquérito após os policiais notarem que ela tinha ciência de que o marido dela fazia uso constante de sua arma de fogo.
O Paranaíba Mais entrou em contato com a defesa de Renê Júnior, após o indiciamento do empresário. Em resposta, o advogado Bruno Rodrigues disse que a defesa apresentou ao Ministério Público (MP) um pedido para reprodução simulada dos fatos – uma encenação do que aconteceu entre Renê Júnior e Laudemir Fernandes – nesta sexta-feira. A defesa se manifestará por meio de nota após a apreciação do MP sobre o pedido.
A morte do gari em BH
O gari foi morto enquanto trabalhava no bairro Vista Alegre, no dia 11 de agosto. Renê Júnior foi passar pela rua onde os trabalhadores estavam e se irritou com a passagem do caminhão de lixo pela via. Segundo testemunhas, Laudemir foi morto tentando defender a motorista do caminhão, que era ameaçada pelo empresário.
Renê Júnior confessou ter disparado contra o gari Laudemir Fernandes, 44, em um depoimento no dia 18 de agosto, em BH. A confissão veio após o laudo balístico apontar que o tiro que matou a vítima saiu da arma que o empresário transportava no carro.